A paixão de formar com o sonho de ser team manager

Daniela Azevedo adora trabalhar com os mais novos e é no Mem Martins que dá treinos

É entre os mais pequeninos que Daniela Azevedo se tem sentido realizada. Formar é a paixão da jovem treinadora de 26 anos, chamada ao mundo do futebol por Tiago Louzeiro, que integra a equipa técnica de Luís Freire, hoje no Nacional. “Pratiquei futebol dos 10 aos 16 anos, sensivelmente. Vivia na Ericeira e comecei a treinar no Ericeirense aos 18, a convite do Tiago Louzeiro, que tinha sido meu treinador e, hoje não trocaria o que faço, por jogar futebol”, afirma Daniela. Seguiu para o Pêro Pinheiro e Mafra com Luís Freire e posteriormente é que seguiu a sua carreira. “Na altura, não se via nenhuma rapariga a treinar e gosto muito, mas o meu objetivo, embora goste muito do que faço, é ser team manager. É o meu sonho”, sublinha.

Licenciada em Gestão do Desporto e mestranda em futebol, foi numa ótica de trabalhar em Gestão do Desporto que esteve no Pêro Pinheiro, mas sempre liga aos escalões de formação: petizes, traquinas e benjamins, com os quais trabalha hoje na Academia de Futebol Mem Martins. “São os escalões que mais gosto e sou muito apologista que a formação enquanto seres humanos é muito importante e, acima destes escalões, isso está um bocado esquecido. Prefiro formá-los como seres humanos e potenciá-los como jogadores no futuro. É o mais importante”, diz Daniela.

O trabalho tem sido essencialmente com rapazes e a aprendizagem é recíproca. “Costumo dizer que devíamos era aprender com eles e não eles connosco. Ensino muito de parte técnica e tática, mas ali é o topo da sinceridade e honestidade. Ganhar é importante, claro, mas não é o mais importante nestas idades”, refere. Transparente, assume que prepara os meninos com quem trabalha, de 9/10 anos para a hora da derrota. “Digo-lhes, ‘vocês vão perder, vai acontecer’. Por várias razões e eles têm noção disso, são sinceros. Dizem-me ‘mister, tu treinas bem, dás bons treinos’ e isso é uma vitória para mim”, confessa, lembrando que cresceu durante o ano passado, no que respeita à proximidade mantida com os seus atletas.

Do Ericeirense, onde debutou, até ao presente, Daniela guarda com carinho vários desenhos dos meninos que treina, ofertas que vai recebendo por onde passa, sinal de gratidão, pelo trabalho efetuado. É uma treinadora de afetos. “Também faço um torneio anual e numa ocasião, depois de entregar a taça, um deles veio ter comigo e deu-me um abraço. Tenho isso gravado na memória e foi muito bonito. Ser afável não significa que seja má profissional. E isso já foi colocado em causa, mas foi a minha maneira de ser que potenciou muitos atletas. Lembro-me de um rapaz no Malveira, em que no primeiro jogo ele caiu e disse ‘hey, isto é pausa’. Desatei a rir e depois, com o passar do tempo, enviou-me mensagens a dizer que graças a mim marcou muitos golos e foi um facto. Cresceu”, conta a treinadora que face à pandemia e ausência de trabalho no campo, mata saudades via zoom.

Os treinos são diários e nesta altura, a ligação é mantida de modo virtual e Daniela garante que no futuro quer permanecer ligada à formação, mesmo que surja outra oportunidade como treinadora, ou se concretize o sonho de ser team manager. “Se tiver tempo ao fim do dia, estarei com eles”, diz convicta Daniela, que como jogadora foi lateral-direito.

Também administrativa e funcionária numa loja de desporto, Daniela Azevedo tem os dias preenchidos de manhã à noite. O apoio dos pais no que toca ao futebol não falta, mas a treinadora assume que o único desconforto, tendo em conta o instinto protetor, é que possa eventualmente ouvir coisas indesejáveis do público.

Fotos. reprodução facebook Daniela Azevedo – futebol formação

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