Beatriz avalia um Atlético de primeira

Com o regresso à atividade cada vez mais próximo, o Atlético aponta à subida à Liga BPI, com a sua principal goleadora, Beatriz Pinto, a deixar bem vincada a sua ambição individual e coletiva

Em contagem decrescente para o regresso aos treinos de campo estão todos os atletas, masculinos e femininos, que não se encontram abrangidos pelo profissionalismo ou equiparados ou pelo estatuto de primeira divisão. Entre eles, está um motivado Atlético que não vê a hora de retomar a sua participação na série sul da II Divisão e assim consumar o que acreditam que virá a ser a promoção à Liga BPI. Para o fazer, contam com a sua ‘mulher-golo’, que apesar da paragem a que foi obrigada pela pandemia promete voltar com o fulgor que mostrava antes da suspensão das competições.

Beatriz Pinto representa a voz do ambicioso Atlético. Com apenas 20 anos de idade é já uma das capitãs do clube, mesmo tendo o plantel outras atletas de idade superior e identifica o porquê: “Acho que para além da idade é muito importante ter uma atitude aguerrida em campo e acho que sou um exemplo disso. Em todos os treinos, mesmo que sejam aqueles mais ‘soft’, ou mesmo um jogo mais fácil ou difícil, eu tento sempre dar tudo de mim, dar o máximo em campo, nunca desistir da bola e acho que foi na base disso que o Mister confiou em mim para ser uma das capitãs,” explicou a avançada.

A capacidade de liderança de Bia, como é também conhecida, ganha uma maior dimensão quando se verifica que cumpre apenas a segunda temporada na Tapadinha, uma casa que escolheu para si numa opção que se reveste de grande sucesso. “Eu antes jogava no Futebol Benfica e o Mister Hugo Duarte (NDR: atual técnico do Atlético) era o meu treinador, e quando ele decidiu vir para aqui e me apresentou este projeto eu não pensei duas vezes, não só por o Atlético ser um clube com muita história mas também porque gostava muito de trabalhar com o Mister Hugo e queria ter seguimento com o mister,” explica.

“Passei de um futebol em que antes jogava juniores em futebol de nove e passei para o Atlético em futebol sénior e de onze e quis continuar com o Mister Hugo, trabalho com ele há quase quatro anos, desde o Fofó. Acompanhei-o neste projeto e achei uma boa ideia, um projeto com boas bases e que tinha capacidade para ir mais longe,” explica esta atleta que personifica um caso de rápida evolução dado ter pouco menos de três anos…a jogar futebol como federada. “Eu comecei a jogar futebol em 2018/2019, sou muito nova neste mundo, digamos assim…”, sorri humildemente.

Beatriz entrou no futebol pela mão da melhor amiga e não mais deixou este desporto

Beatriz reúne, portanto, “um ano de formação e dois de sénior, no Atlético. Comecei muito tarde, antes jogava com os rapazes e representava a minha escola em torneios inter-escolas ao longo dos anos, mas nunca pensei assim em entrar para um clube. Já tinha estado nas escolas do Benfica só que na altura não gostei muito do ambiente que proporcionava, por ser rapariga…e por haver aqueles preconceitos achei que não era muito boa ideia e desisti do futebol. A partir daí nunca mais entrei e só com os meus 18 anos é que a minha melhor amiga jogava com o Mister Hugo, a Marta Alexandre (NDR: rumou aos EUA).”

“Aí ela dizia-me ‘anda experimentar, anda experimentar’ e nunca tive grande vontade de experimentar até que houve um dia em que disse ‘pronto, para não me chateares mais eu vou’. E a partir desse dia nunca mais pensei em desistir do futebol, quis competir, ser federada…e pronto, fiquei logo apaixonada pela competição, “ conta a jovem que recordou o seu primeiro dia no futebol federado. “Quando me apresentei ao mister, sempre disse que gostava de jogar à frente e o mister acho que percebeu logo que era à frente que eu me saía melhor e era a minha posição”, lembra. E não mais saiu da frente!

“Nunca joguei noutra posição, foi sempre à frente: ou extremo ou ponta-de-lança…”, afirma quem num ápice se tornou na goleadora do Atlético, considerando que a sua galopante evolução tem uma explicação: “sempre joguei com os rapazes, apesar de eles serem mais fortes fisicamente, e sempre marquei muitos golos. Era muito rápida e acho que é a partir disso que faço os meus números, a equipa neste momento também me ajuda muito, trabalhamos todas muito no conjunto, não somos nada egoístas em termos de quem quer marcar mais aqui, somos muito equilibradas nesse aspeto e fazemos todas umas pelas outras.”

Beatriz Pinto tem protagonizado uma ascensão meteórica, sendo já uma das avançadas mais valiosas da II Divisão com apenas…três anos de futebol federado

Apesar de difícil, a avançada alimenta a esperança de ser a melhor marcadora da série sul

“Tenho tido bons números nestas últimas épocas, apesar de na época passada não ter jogado muito devido a uma lesão, mas os números vêm disso – da minha vontade e de querer sempre fazer melhor, marcar mais, e mais e mais e a equipa, claro, também ajuda muito nesse aspeto” elogia, sorrindo quando confrontada com a marca de 8 golos em 7 jogos realizados no somatório entre a II Divisão e a Taça e a prometer conseguir mais e melhor…dentro do possível: “não tenho uma marca definida porque já estava à espera que esta época fosse um bocadinho atípica relativamente à época passada,” lembra.

Beatriz Pinto tem contra si as constantes paragens, mas mantém a ambição elevada. “Se há menos ou mais jogos, não sabemos muito bem o que se vai passar, mas o meu objetivo é sempre fazer melhor, e melhor que no ano passado. Quero aumentar ainda mais os meus números, quero chegar a ser a melhor marcadora deste campeonato apesar de ainda ter uma grande diferença para o primeiro lugar (NDR: Beatriz contabiliza sete, a líder Beatriz Conduto, do Sporting B, já soma…21), estou atualmente em terceiro e gostava de chegar a essa marca e ultrapassar essa jogadora que está em primeiro,” aponta.

“Com muito trabalho, sei que é difícil, mas espero conseguir de alguma forma aumentar os meus números” e contribuir para que o Atlético atinja os seus objetivos, que passam pela promoção à Liga BPI. “O nosso objetivo nunca foi passar à fase de subida, o nosso sempre foi subir de divisão, só. Já é bom estarmos numa fase de disputa de subida de divisão e já termos garantido esse lugar, mas o nosso objetivo é e sempre foi subir de divisão. Já nos tinha acontecido no ano passado, mas este ano estamos outra vez a lutar por esse objetivo e acho que estamos todas muito focadas, trabalhadoras e ambiciosas.”

“Todos, tanto a equipa, como a equipa técnica, com ambição e muito trabalho, vamos conseguir alcançar esse objetivo coletivo que apesar de ser coletivo é também, no fundo, o meu principal objetivo, o Atlético subir à primeira divisão. O meu principal objetivo é coletivo e não individual,” completa a talentosa avançada, que tudo fará para figurar na Liga BPI na próxima temporada e uma vez mais representando o histórico clube lisboeta que há algum tempo ambiciona colocar-se na elite do futebol feminino nacional.

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