Bia, a lateral de polivalência natural

É nas laterais defensivas da Ovarense que Beatriz Rodrigues impressiona pela polivalência, com uma regularidade para a qual muito contribui a sua especial preocupação com a sua condição física

Poucas jogadoras em Portugal cruzam com a sua qualidade em Portugal, seja a partir da linha de fundo ou mais atrás, sobre a área ou nas costas da defesa: Beatriz Rodrigues traz consigo uma fama de bater livres com uma técnica raramente vista no panorama nacional e está, por isso, por mérito próprio entre os nomes que fazem parte da nova vaga de laterais direitas em Portugal, algumas delas já a ganhar o seu espaço na Seleção Nacional. Essa é a meta da lateral da Ovarense, que se faz conhecer pela capacidade atlética e mentalidade profissional no que respeita ao compromisso com o treino e os cuidados pessoais.

Bia, como é conhecida, participou em todos os jogos da Ovarense esta temporada. Uma regularidade que se explica com muita abnegação em chegar sempre mais longe: “essa regularidade deve-se muito ao facto da minha vontade de querer ser mais, de tentar melhorar a cada treino. Fora de campo olho muito para o que posso fazer melhor como pessoa, o que me leva seguidamente a ter o mesmo pensamento como atleta,” assim revela grande parte do segredo para a sua sucessiva condição de titular na Ovarense depois de também o ter sido quando anteriormente representava o Boavista.

Lateral alinha nas duas laterais depois de uma “quase monitorização” à direita

Com apenas 23 anos, Beatriz mostra-se pronta para voos mais altos e participar, a breve trecho, numa fase de apuramento de campeão poderá ser o próximo passo para este valor da Ovarense que transmite que “a titularidade sucessiva é uma resposta ao trabalho realizado fora do clube. Sem dúvida de que quero chegar mais longe e sinto-me completamente preparada para isso, gosto de desafios, o comodismo é por vezes um inimigo enorme, não gosto de estagnação. Acho que nos devemos expor a novos estímulos se queremos chegar ao topo,” acrescenta esta verdadeira ‘máquina competitiva’.

“O meu grande objetivo é conseguir chegar aos melhores clubes do nosso campeonato, ou até quem sabe, fora do país”, revela Beatriz Rodrigues, que apresenta caraterísticas de polivalente e alinha nas duas laterais defensivas, uma mais-valia que a pode levar mais longe. “Nas primeiras vezes que joguei no lado esquerdo notei algumas diferenças relativamente aos apoios a nível defensivo, devido a uma quase monitorização depois de tanto tempo somente a jogar no lado direito, é o meu lado de origem, contudo tive uma excelente adaptabilidade devido à boa coordenação e boa leitura de jogo,” admite a lateral.

Beatriz identifica a versatilidade como “mais um ponto que me beneficia como atleta. Quem vê o jogo observa que é apenas uma mudança de lado, mas existem diversos fatores a serem adaptados. Estou a lateral direita, a última vez que joguei a lateral esquerda foi na época passada,” explica, focada agora numa jornada na qual defrontará o Gil Vicente, uma equipa ante a qual a Ovarense jogou há pouco tempo e que pode servir de referência para Beatriz Rodrigues e as restantes companheiras: “será um jogo bastante disputado, mas desta vez é em nossa casa, será um ponto a nosso favor,” lembrou.

A condição física apurada é uma mais-valia que Beatriz Rodrigues considera essencial no seu jogo…como atesta esta amostra do seu dedicado trabalho de ginásio.

Beatriz desconfia do calendário aparentemente acessível que se segue para a Ovarense

“Todos os jogos nesta fase são uma final, pois cada ponto tem uma importância surreal. Estudámos muito a equipa para anular todos os fatores que nos poderiam comprometer, nesta fase ganha o clube que tiver melhor equipa e não melhores jogadoras” numa disputa pela manutenção que será muito apertada, ainda que caso derrote o Gil a Ovarense praticamente garante o play-off, evitando assim a descida imediata, defrontando a seguir Cadima e Fiães, os dois últimos classificados. Um calendário aparentemente favorável para as vareiras…mas Beatriz Rodrigues desconfia.

“Nesta fase, apesar da qualificação, não há tempo para menosprezar alguma das equipas, no final o que contam são os pontos. Sabemos a qualidade que temos e o trabalho que temos feito. Anteriormente perdemos pontos com equipas ditas mais fáceis, o que nos levou por consequente a estar neste patamar. Cada jogo irá ser disputado como se fosse o último. Na minha opinião, é favorável a ordem de jogos, sendo que temos a possibilidade de garantir mais cedo o play-off, mas trabalharemos para garantir o 2º lugar” e a consequente manutenção imediata, evitando possíveis surpresas e eventuais dissabores.

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