MÁRIO DUARTE | Chegou a hora

Aparecemos ao mundo dia 1. Mas, nos bastidores, arrancámos bem antes. E decidimo-nos por esta aventura porque estamos convictos que vale a pena. Porque julgámos importante fazer luz sobre um lado que, por preconceito, resistência à evolução ou pela simples defesa do poder instituído, permanece na obscuridade (ou, pelo menos, sem a visibilidade e o reconhecimento devidos, os quais nos propomos resgatar): o desporto no feminino. O futebol, sim, mas não só. Porque achámos chegada a hora de mudar.

Curiosamente, em paralelo com o aparecimento do Lado F, surgiram as primeiras medidas concretas no que à igualdade do género diz respeito ao nível do futebol mundial. Primeiro, foi o Brasil. A CBF anunciou que equiparava prémios e compensação diária entre homens e mulheres. No dia seguinte, a FA revelava não só que a Inglaterra já seguia esse modelo desde janeiro, mas que também a Austrália, Nova Zelândia e Noruega assumiam idêntico procedimento.

Tal como Carolina Mendes, a primeira jogadora a dar a cara pelo nosso projeto, deu conta, a disparidade de condições (desportivas e monetárias) entre o futebol masculino e feminino configura um fosso enorme, que será sempre extremamente complicado galgar – sobretudo pelas repercussões sociais e culturais que estão associadas (por cá, por exemplo, chegou a ser equacionado estabelecer um teto salarial… quando a maioria das jogadoras no principal escalão nacional nem sequer é profissional).

Foi nos países nórdicos que Carolina Mendes, que além de Portugal, jogou ainda em Espanha, Itália, Rússia, Suécia e Islândia, viu mais esbatidas as diferenças entre homens e mulheres no futebol. O exemplo chega agora de outros quadrantes: brasileiras, inglesas, australianas, neozelandesas e norueguesas estão equiparadas aos homens quando representam os respetivos países.

O Lado F chegou quando parece ser chegada a hora de alterações profundas na realidade do panorama desportivo a nível mundial. Vamos estar lá: lado a lado.

Deixe um comentário!

spot_img
Últimas NOTÍCIAS

Escalões A e B do Torreense seguem a mesma estrada

Bem integrado no crescimento sustentado do futebol feminino em Portugal que se tem construído, como é necessário, a partir das bases, o Torreense pretende...

Filipa leva ao tapete com a esquerda

Foi na raça, sem desistir, que Filipa Morais recolheu um alívio da defesa do Damaiense e, indiferente à pressão das adversárias, disparou de pé...

À segunda, Catarina espera segurar a manutenção

Desde o primeiro dia de treinos na temporada, muita coisa mudou para o Gil Vicente, que não conseguiu evitar uma 1ª fase abaixo das...

O futuro a acontecer no futebol feminino

Esta época tem sido especial para aquela que é a principal competição europeia de clubes: a Liga dos Campeões feminina.  A eliminação do Lyon nos quartos de final, frente ao PSG, começou a desenhar...

Águila dá asas ao feminino na Colômbia

Na Europa, a cerveja ‘Águila’ será provavelmente conhecida por aquilo que é o seu produto: uma cerveja. Já na Colômbia, a marca é encarada...

Tatiana aconselha-se no campeão europeu

Serão poucas as jogadoras que poderão gabar-se de ter a respetiva carreira monitorizada e acompanhada pelo clube campeão europeu e menos ainda as que...