Começar bem e acabar ainda melhor

Terceiro e quarto classificados do Grupo D da Liga dos Campeões feminina voltaram a encontrar-se, desta feita em casa das suecas. Num estádio com relva sintética de última geração, as baixas temperaturas que se registaram não tiraram a intensidade e emoção que houve na partida. Depois da vitória algo polémica do Hacken no Benfica Campus, as pupilas de Filipa Patão fizeram tudo para que o resultado deste jogo fosse diferente. Se a derrota deixou algo de positivo, foi a perceção que o Benfica podia ganhar a este adversário.

O jogo começa com o Benfica a jogar em 1X4x4x2 losango e a testar essa tal perceção, através da aniversariante Kika Nazareth, que num remate fora da área, obriga a uma enorme intervenção da guarda-redes do Hacken. Na sequência do canto resultante desta jogada e após enorme confusão na grande área adversária, foi Cloé Lacasse a mais esclarecida e a conseguir inaugurar o marcador (aos 3’ minutos) a favor da equipa portuguesa. O mais difícil parecia feito. Primeiro golo do Benfica nesta fase e uma vantagem inicial que poderia levar o Benfica a jogar de forma mais tranquila.

O Hacken acusou o golo, mas reagiu de imediato. Foi uma equipa agressiva, criou lances de perigo com o seu 1X4X2X3x1 e durante a primeira parte foi a equipa que mais vezes assumiu o jogo. O Benfica com pouco espaço e tempo para pensar, fruto da pressão adversária e da vantagem no resultado, remeteu-se a uma postura mais defensiva, baixando os blocos, saindo em contra-ataque e ataque rápido sempre que podia. Apesar do maior domínio da equipa visitada, o resultado chegou ao intervalo com a vantagem do Benfica.

Na segunda parte, o jogo reiniciou-se com o Hacken a tentar, desde cedo, igualar o marcador. O Benfica respondeu a preceito, com Pauleta de cabeça a obrigar a guarda-redes sueca a mais uma excelente intervenção e, na jogada seguinte, Lacasse também de cabeça, a atirar ao lado.

A equipa sueca continuou à procura do empate e a arriscar cada vez mais. O Benfica começou a perder algum do discernimento e intensidade que tinha tido até ao momento e que lhe permitia causar perigo no último reduto adversário. Tentou equilibrar mais o jogo com a entrada da Beatriz Cameirão, mas foi a partir dessa altura, que se perdeu alguma da potencial ameaça que o Benfica dispunha com as duas jogadoras na frente. As suecas começaram a ter cada vez mais espaços entre setores e resultado disso foi o maior número de oportunidades criadas. Numa delas, conseguiram a igualdade no marcador ao (minuto 74), Christy Ucheibe fez uma grande penalidade, ao colocar a mão/braço na bola dentro da grande área. A falta de discernimento coletiva mencionada anteriormente, aliada a algum cansaço de algumas jogadoras do Benfica, teve como resultado a ingenuidade da jogadora benfiquista neste lance e consequente prejuízo da equipa portuguesa.

Filipa Patão percebeu o que não estava bem na equipa e efetuou nova substituição. Com a entrada de Andreia Faria para o lugar de Ucheibe, a equipa melhorou e voltou a ser mais pressionante, subindo esta pressão para zonas mais próximas da área adversária. Aumentou o risco (chegou a jogar 4 para 4 na sua zona defensiva e até em inferioridade numérica em algumas transições), mas obrigou o Hacken, nos minutos anteriores ao golo, a ter de defender muito. Foi premiada com uma vitória inédita aos 90’+1’ com o golo de Catarina Amado após um livre de Kika. Foi um merecido prémio para a equipa que, até ao fim, acreditou e trabalhou para atingir a vitória, bem como para a Catarina Amado, uma jogadora incansável na sua disponibilidade, na sua atitude e entrega em prol da equipa.

Em resumo, foi um jogo intenso, combativo, físico, exigente taticamente e muito competitivo. O normal de uma Liga dos Campeões com grandes equipas e, no caso do Benfica, de um grupo com muita qualidade. Ficam para a história os primeiros golos nesta fase e a primeira vitória.

A possibilidade de a equipa portuguesa ir mais longe nesta Liga mantêm-se em aberto, apesar do resultado do outro jogo do grupo não ter sido o mais benéfico para o Benfica.

As duas últimas jornadas, com a receção ao Olympique Lyon a 9/12 e a ida ao Bayern Munique a 15/12, decidirão o futuro da já brilhante prestação da equipa portuguesa na Liga dos Campeões.

(Foto: UEFA)

Pedro Sampaio
Treinador

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