Histórico clube, com dois títulos nacionais no futebol feminino, o Futebol Benfica vive uma época complicada. O popular Fofó está a lutar pela manutenção, mas no domingo, no terreno do Atlético Ouriense ganhou um balão de oxigénio, com um triunfo (0-2) que motiva a equipa lisboeta. Responsável máxima pela equipa feminina, Madalena Gala acedeu a falar com o Lado F e passou em revista o que tem vivido no emblema que não vencia desde 19 de dezembro. Sem papas na língua, enquanto aguarda pela possibilidade de ter mais um reforço, deixa ainda uma questão para reflexão no panorama feminino nacional, relativa à política de empréstimos.

Que significado tem a vitória sobre o Atlético Ouriense?

As jogadoras do Fofó não baixam os braços e tenho um orgulho tremendo nelas, pelo trabalho diário que fazem no clube, após as suas atividades laborais. Tivemos algumas derrotas injustas, como aconteceu com o Amora, mas dependia de nós e fomos nós que deixámos que marcassem aos 90’+2′ (1-2). Após uma derrota dessas, no regresso aos trabalhos, o pensamento é de que é para ganhar no fim de semana seguinte. Não senti a equipa a baixar os braços uma única vez, nem as jogadoras a desistirem. Elas são as primeiras a dizerem-me que vamos à luta. Quem trabalha bem e com dedicação, só pode estar no caminho do sucesso e o Fofó está no caminho do sucesso, como esteve nas duas últimas épocas. Este campeonato não nos ajudou, mas também não nos conseguimos reforçar como queríamos. Reforçámo-nos muito pouco, ao contrário de outras equipas. Houve cada vez mais um desequilíbrio entre nós e as outras equipas. Estamos em constante luta para que nada de mal aconteça ao Fofó.

“Não senti a equipa a baixar os braços uma única vez. As jogadoras são as primeiras a dizerem-me que vamos à luta. Se vencermos o Damaiense será um ponto de viragem”

Que mensagem tem passado ao grupo?

O que lhes digo é que estas batalhas e desafios só são dados a quem os merece e acho que o Fofó merece este desafio. Se estivéssemos no apuramento de campeão, que desafio teríamos? Nenhum, porque não há competitividade para equipas que não são profissionais. Não me digam que o campeonato está mais competitivo, porque não está e isso pode ver-se pelos resultados. Vínhamos de duas derrotas ingratas, a perder nos últimos minutos. Em jogo jogado, nem Amora ou Estoril foram superiores a nós. Houve um Fofó que estava completamente abalado psicologicamente. Era tanta a vontade de ganhar, que muitas das vezes não se conseguia marcar e havia desequilíbrio defensivo, tal era a fome de golo. Há um caminho e esta vitória com o Ouriense só saberá a vitória total se vencermos o Damaiense no próximo fim de semana. Isso poderá marcar um ponto de viragem e uma reviravolta. Os resultados têm que compensar o trabalho do staff e jogadoras.

“Se estivéssemos no apuramento de campeão, que desafio teríamos? Nenhum, porque não há competitividade para equipas que não são profissionais. Não me digam que o campeonato está mais competitivo, porque não está e isso pode ver-se pelos resultados”

O que perspetiva em concreto sobre a partida com o Damaiense, que também luta pela manutenção?

Antes de falar do jogo, deixo uma questão e proponho uma reflexão para todos sobre a veracidade deste campeonato. Como é possível que exista um clube satélite de outro que está na Liga BPI? Se formos ver, neste momento, o Damaiense pode reforçar-se com todas as jogadoras que o Benfica quiser emprestar para conseguir a manutenção. Sobre o jogo, ainda vou analisar o Damaiense e preparar a estratégia para esse jogo.

Tem um plantel curto e viu ainda a saída de Jéssica Simão no mercado de inverno. Como tem sido a integração de Mariah Powers, uma das caras novas, titular nos últimos dois jogos?

É uma jogadora que podemos dizer que é o reforço. Veio para isso, para chegar e ser titular. Só podemos chamar de reforço a quem vem para nos dar rendimento. Estávamos a adaptar uma média [Catarina Realista] a central nos últimos jogos, depois de a Maria Cabo ter iniciado ao lado da Inês Salvador, mas a Maria, embora tenha potencial, ainda não está totalmente pronta para a exigência da Liga BPI, mas vai crescer.

E a Melany Fortes?

É uma jogadora que esteve parada um ano. Tem potencial, mas terá de ser trabalhada. Não entra de caras no nosso 11.

Joana Vieira voltou aos relvados esta temporada e não conseguirá terminá-la. Foto: Filipe Amorim / Lado F

Nas últimas duas jornadas não contou com a avançada Joana Vieira. Está lesionada?

Sim e para infelicidade nossa, falhará o resto da temporada.

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