De Cabo Verde para uma época sensacional no ataque do Fofó

À exceção de Joana Meira – em ano de estreia no futebol de onze, tem crescido bastante ao lado de Sara Granja -, Melany Fortes é a jogadora do onze habitual com menos tempo de casa no Futebol Benfica. Contratada em fevereiro de 2021, depois de ter estado um ano sem jogar, a presente temporada marca a afirmação definitiva da avançada cabo-verdiana, autora de 26 golos, que a tornam a melhor marcadora do Fofó. Depois de na semana anterior, ter marcado o segundo golo do empate frente ao Gil Vicente (2-2), que valeu presença na meia-final do playoff de subida de divisão, Melany voltou a ser preponderante na vitória expressiva sobre o Racing Power (4-1), com um bis e participação direta noutro golo. Após recuperação de bola da incansável Sara Granja no miolo do terreno, Rita Barreto, que voltou a jogar após castigo, passou para Melany, cujo remate sofreu um último desvio em Theresa Pujado para a própria baliza (3-1).

Sem dar uma bola como perdida, a própria Melany recuperou a bola no lance do 4-1 e foi servida pela segunda vez pela capitã Andreia Silva (também ele autora de um golaço no 1-1), para elevar a contagem com um remate indefensável. “Foi um dos golos mais bonitos da época. Já tinha feito um golo de fora da área ao Damaiense, um grande golo, mas ainda não tenho a noção exata deste golo. Só vendo depois nas imagens para analisar melhor. Recebi a bola e só pensei ‘vai daqui’”, diz Melany.

Pelo segundo jogo seguido, o Fofó recuperou de desvantagem no marcador e Melany justifica os motivos para a crença da equipa liderada por João Mugeiro. “Não há segredos, nunca desistimos. Se sofremos um/dois golos, vamos lutar da mesma forma, reagir às perdas de bola sem nunca deitar a toalha ao chão”, aponta Melany, abordando não só o desafio de domingo, como o do Gil Vicente, em que o Fofó estava eliminado a cinco minutos do fim, mas marcou dois golos em 38 segundos que fizeram a diferença.

Seja de cabeça, como no 2-1, ou com o pé, não falta garra e velocidade à avançada de 22 anos, que agradece às companheiras de equipa. “Chegámos ao intervalo com 1-1 e cansadas, também devido ao calor, mas somos uma família. O nosso elemento principal é a união. Podemos errar, mas alguém vai estar lá para compensar uma falha nossa e isso torna-nos família. Se eu errar, sei que ninguém me vai julgar, como num lance em que poderia ter feito mais um golo. Mas já não tinha forças nas pernas”, refere.

O acesso à final decide-se no sábado, em casa do Racing Power e apesar da vantagem alcançada, não é hora de festejar, porque o futebol é fértil em reviravoltas épicas. “É um resultado importante, mas não ganhámos nada. Vamos lá jogar com humildade e cientes de que teremos de lutar da mesma forma e dar o máximo. Vai ser como se estivesse 0-0”, prossegue, sobre um adversário bem conhecido, face aos três jogos disputados nas fases anteriores, dois deles vencidos pela equipa da margem sul.

“Já não há segredos nem para nós nem para elas, porque nos conhecemos bem. Do nosso lado, temos uma equipa técnica excelente que analisa tudo e nos dá todas as ferramentas essenciais para o que devemos fazer em campo”, sublinha.

Passado como guarda-redes

Em termos pessoais, antes de chegar a Lisboa, Melany jogava em Cabo Verde e destacou-se não só no relvado, em que foi distinguida com o prémio de jovem promessa, como no futebol de praia. “Fui internacional por Cabo Verde em futebol de praia… como guarda-redes. Sempre foi uma paixão”, conta. Aliás, por indisponibilidade de todas as guarda-redes, no ano passado, Melany foi opção para a baliza do Fofó, num jogo em que não sofreu golos (3-0 com o A-dos Francos). Também por isso, tem sido um apoio nas camadas jovens do clube, ao lado da treinadora/jogadora Rita Barreto, partilhando a sua experiência como guarda-redes.

Hoje, não só faz golos, como é um dos primeiros elementos a pressionar o adversário, quando o Fofó não tem bola e diz-nos que é incomparável a diferença entre 2020/21 para o presente. “Vim para Portugal estudar. Estava em Bragança e recebi proposta do Fofó. Fiquei, mas foi difícil a fase de adaptação, por ter estado um ano sem jogar e lesionei-me no último jogo com o Damaiense no primeiro minuto”, vinca, naquele que era o primeiro jogo a titular como jogadora de campo. Por isso, passou as últimas férias a recuperar, com reforço muscular, tendo em vista uma nova época em que pudesse ser um reforço efetivo, o que acabou por acontecer.

Estudante no 1.º ano de Gestão Financeira e Contabilidade, a dona da camisola 13 tem como ídolo Cristiano Ronaldo, pela capacidade de finalização, mas desde sempre que gostou de Neymar pelas fintas. E claro está, a rainha Marta também é inspiração no futebol feminino, sem esquecer Edite Fernandes, com a qual ainda teve o privilégio de jogar.

Foto: FPF

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