Dolores Silva esclarece: “Ser capitã não é ter a braçadeira, é ter a responsabilidade”

Dolores Silva é, aos 30 anos e às 124 internacionalizações, a sucessora de Cláudia Neto como capitã da Seleção Nacional de futebol feminino. Sem pudores, a também dona da braçadeira do Braga, deixou a sua visão sobre o estatuto que assume agora em permanência.

“Ser capitã não é ter a braçadeira, é ter a responsabilidade e poder ajudar as minhas colegas, não só dentro do campo, mas também fora. É isso que eu procuro, com a minha experiência: aportar o melhor para elas, que sintam confiança e o compromisso com a Seleção”, afiançou, antes de comentar o “peso” da herança deixada por Cláudia Neto: “É claro que é uma grande responsabilidade, a Cláudia foi uma grande capitã, uma grande jogadora que deu muito à nossa Seleção e estamos gratas por isso. Receber a braçadeira é sempre um motivo de grande orgulho, é o meu país, estou a representar a minha Seleção.”

Dolores Silva com a braçadeira de capitã no particular com os EUA (Foto: FPF)

Desafiada a pronunciar-se sobre o papel de liderança reforçado à conta dos títulos conquistados (em Portugal, por Braga e 1.º de Dezembro, e em Espanha, pelo Atlético de Madrid), Dolores Silva ripostou: “Temos que ser ambiciosos.” “Quantos mais títulos ganhamos, mais queremos ganhar. Isso tem de estar presente na nossa mentalidade e tento passar isso, também. Já estivemos num Campeonato da Europa, procuramos agora algo que também nunca foi conseguido, que é ir a Mundial. Sabemos que não vai ser fácil, mas vamos dar tudo por tudo para representar Portugal da melhor forma possível”, garantiu.

Sobre o duplo embate que Portugal vai ter com Turquia e Israel, dias 16 e 19, respetivamente, a nova capitã da Seleção Nacional não espera facilidades. “São dois adversários que nos vão complicar a vida, têm vindo a crescer nos últimos anos, é uma qualificação, todas as equipas vão querer competir ao mais alto nível. Gostaríamos mais de começar em casa, mas vamos preparar-nos da melhor forma”, assegurou, sem querer abrir em demasia o jogo sobre qual das duas equipas podem ser esperadas mais dificuldades: “São ambos adversários complicados. Talvez a Turquia, no plano teórico, seja mais difícil, mas nenhum deles é fácil. Teremos de estar ao nosso melhor nível, até porque vamos jogar fora, mas o nosso principal objetivo é trabalhar o máximo para quando chegar o momento do jogo podermos estar bem e concentradas para conseguirmos aquilo que pretendemos, que é alcançar os seis pontos.”

Com os exemplos dos Estados Unidos, a par de Inglaterra ou outras seleções, assim como a decisão recentemente anunciada da transmissão televisiva de todos os jogos da Liga BPI, a evolução do futebol feminino foi outro tema sobre o qual Dolores Silva deixou a sua visão.

“Vejo de forma bastante positiva. Basta olhar para uns anos atrás e ver que não tínhamos nada disto e que nem podíamos sonhar com tudo o que temos hoje. Para mim, é motivo de muito orgulho, é sinal que o futebol feminino está a crescer e acho que isso é muito importante, espero que continue assim. O facto de a Liga estar mais competitiva e apareceram equipa que estão a apostar mais no futebol feminino, ter a atenção dos ‘media’ – neste caso, da televisão – também é muito importante, porque dá visibilidade à modalidade e é isso que nós pretendemos, que ela continue a crescer e que as pessoas continuem a olhar para nós não só como as mulheres que jogam à bola, mas como jogadoras de futebol”

“[É importante] Que as pessoas continuem a olhar para nós não só como as mulheres que jogam à bola, mas como jogadoras de futebol”

Sobre a renovação em curso na Seleção Nacional, com várias jogadoras abaixo das 10 internacionalizações, o eventual risco de quebras de rotinas e automatismos, a centrocampista mostrou-se tranquila. “Sinceramente, acho que não [há esse risco]. O grupo tem vindo a ser praticamente o mesmo desde a qualificação passada e o nosso pensamento, entre saídas e entradas, é que as pessoas se sintam bem e integrar ao máximo todas as meninas e que dentro de campo possam sentir-se úteis, porque somos todas iguais”, afiançou.

Passando só o primeiro e as duas melhores segundas, é “missão impossível” o apuramento para o Mundial, estando Portugal no grupo da Alemanha, terceira do ranking da UEFA? Dolores Silva tem resposta pronta: “No futebol, não há impossíveis. Sabemos que vai ser muito difícil, a Alemanha é uma potência do futebol feminino e, curiosamente, foi a única seleção de topo que nós não defrontámos. Mas, sempre focadas, vamos perseguir os nossos objetivos.”

(Fotos: Tiago Tavares / Lado F)

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