“É incrível estar a jogar com quem pedia fotos há sete anos”

Tem 19 anos, cumpre a primeira época na equipa de futsal do Benfica e aos poucos tem ganho cada vez mais minutos. Falamos de Helena Nunes, ou melhor, Leninha, cujo diminutivo nasceu no mundo do desporto, pois é apenas tratada por Helena no seio da família. Conquistada a Taça da Liga e a Taça de Portugal, esta última relativa à época transata, o Benfica prepara-se para consolidar a hegemonia nacional, com o tetracampeonato, que está à distância de três pontos, quando faltam cumprir quatro jornadas.

Estudante no primeiro ano do curso de Serviço Social no ISCSP, Leninha sabe que é fundamental conciliar as duas vertentes, pois “o futsal ainda está muito pouco evoluído” para viver da modalidade. “Quero tirar o meu curso e poder trabalhar nessa área no futuro”, diz ao Lado F.

Cumpre a primeira época no Benfica. Como tem sido a integração?

A integração tem sido muito boa pois foi facilitada por todas. Desde o primeiro dia que me acolheram muito bem e sempre me souberam integrar da melhor forma. Passamos muito tempo juntas, até mesmo fora do contexto de futsal, o que é ótimo porque agora, em tempos de pandemia, os nossos contactos têm de ser mais reduzidos. Somos um grupo muito unido e acho que isso acaba por ser uma das grandes chaves para o sucesso.

O Benfica está perto de se sagrar campeão mais uma vez. Que balanço faz da temporada até ao momento, tendo em conta as conquistas das Taças?

Esta época foi sempre de incertezas e temos a perfeita noção de que somos umas sortudas por podermos competir. Ao início jogávamos cada jogo como se fosse o último com o medo que tudo voltasse a parar, agora estamos quase a ser campeãs e acho que é mais que merecido por tudo o que temos vindo a fazer. Está a ser uma época muito bem conseguida, já ganhámos duas taças, uma ainda referente à época anterior, que são o reflexo da qualidade e competência que há no plantel que, em tempos difíceis, sempre se manteve focado. Neste momento somos a melhor equipa nacional e tudo o que elas têm feito e dado ao futsal feminino no nosso país é incrível.

O que mais a cativa e faz evoluir numa equipa com tantas jogadoras de qualidade?

O que mais me cativa em jogar no Benfica é poder conviver e aprender diariamente com as jogadoras que sempre vi como um exemplo, a evolução vem do trabalho e, claro, se treino com as melhores, a minha evolução acaba por ser uma coisa natural devido à exigência de cada treino. Se quero conseguir treinar com elas, tenho de me esforçar. Há uns sete anos estava a vê-las a jogar e a pedir fotos no final do jogo, hoje jogo com elas e é incrível.

“O que mais me cativa em jogar no Benfica é poder conviver e aprender diariamente com as jogadoras que sempre vi como um exemplo, a evolução vem do trabalho”

Que palavras vai assimilando das jogadoras mais experientes? Que contributo lhe dão para o seu futuro?

Acho que desde o início da época, em setembro, até agora não houve um único treino em que pelo menos uma delas não me tenha dado um conselho ou até mesmo uma palavra de incentivo. Dizem-me sempre como posso melhorar nas situações em que estou menos bem, ajudam-me na parte tática e acabam por ser umas segundas treinadoras. Elas não vão jogar para sempre e por isso, tudo o que poder aprender com elas agora vou aproveitar. Têm anos de experiência e tudo o que me dizem ajuda-me para o meu futuro.

Tem alguma superstição antes dos jogos?

Não tenho nenhuma superstição antes dos jogos mas, normalmente, ligo sempre à minha mãe. Não é uma superstição, é algo que faço porque gosto sempre que vou jogar e ela não está na bancada, de resto é entrar lá dentro e ganhar.

Foto: Cátia Luís/SL Benfica

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