Mais um nome feminino está a causar sensação no futebol feminino internacional e este bem português: Edina Alves, que será, dentro de poucas semanas, mais uma pioneira na arbitragem feminina ao estar nomeada para o Mundial de Clubes masculino. “Para mim nada caiu do céu,” assim reagiu em declarações à AFP a brasileira Edina, que dentro de menos de um mês conhecerá o ponto alto da sua carreira no Qatar, onde se tornará a primeira mulher a assumir funções de árbitro principal num encontro válido por uma competição sénior diretamente organizada pela FIFA.

A porta de Edina Alves abre-se, desde logo, com um Mundial de Clubes que terá lugar entre os dias 1 e 11 de fevereiro e constituirá mais um passo firme para a arbitragem feminina apenas dois meses após a inédita presença da francesa Stéphanie Frappart como juíza de um encontro a contar para a Liga dos Campeões num Juventus vs Dynamo Kiev que o emblema de Turim venceu por 3-0 no passado dia 2 de dezembro.

Perante o ponto alto na carreira, a brasileira recorda que há treinos e exames por realizar

Este pode e deve ser tido como o corolário da carreira de Edina Alves, de 40 anos, cuja juventude foi passada a trabalhar desde madrugada a carregar sacos de terra numa plantação de forma a conseguir pagar a sua licenciatura em Educação Física: “trabalhei muito duro, faz 20 anos que sou árbitra e sempre me preparei ao máximo para quando um dia uma oportunidade destas se pudesse apresentar,” reconheceu. E a oportunidade chegou mesmo: no Qatar, Edina Alves será o único arbitro no feminino entre os sete juízes nomeados pela FIFA.

Edina está nomeada para o Mundial de Clubes e estará ligada a jogos de elevado calibre competitivo já que esta prova junta os sete campeões de cada continente numa disputa em eliminação direta. Nada que assuste a brasileira, que já iniciou a sua preparação. “Há ainda muito trabalho a desenvolver, temos ainda muitos treinos e exames físicos previstos,” identifica a corajosa mulher que tem por hábito sorrir enquanto arbitra, mesmo quando mostrava cartões amarelos e vermelhos no altamente mediático Brasileirão e já na variante masculina.

Natural de Goioerê, situado na área rural do estado do Paraná, no sul do Brasil e muito próximo da fronteira com o Paraguai, Edina Alves leva por diante uma carreira profissional como árbitra desde 2000 depois de também ela ter sido praticante de futsal por anos a fio. A mudança deu-se pouco antes, em 1999, quando ainda no contexto do seu emprego foi convidada a fazer parte de uma partida amadora como árbitra auxiliar, viu nascer o ‘bichinho’ da arbitragem e abraçou uma vocação para toda a vida e da qual muito se orgulha.

Edina Alves protagonizará um momento histórico para a arbitragem feminina, não só brasileira como Mundial. Imagem: Kin Saito/CBF

Depois do Mundial de Clubes, Edina Alves ambiciona arbitrar nos Jogos Olímpicos

“A FIFA não leva em conta o género, somente as capacidades. É o futebol ao mais alto nível e todas as mulheres estão prontas a responder presente,” considera a árbitra que passa a integrar uma elite de pioneiras cujo início esteve na alemã Bibiana Steinhaus, que na altura foi a primeira mulher a apitar um jogo de uma das principais Ligas masculinas da Europa, na Bundesliga em 2017. Edina Alves admite o sonho concretizado mas não pretende ficar por aqui, ambicionando já estar presente nos próximos Jogos Olímpicos de Tóquio, que se realizarão já no Verão de 2021.

Edina pretende apitar nos dois torneios de futebol, masculino e feminino, indicando que “toda a gente quer lá estar e eu trabalho no duro para isso,” o que torna provável a sua presença no certame: afinal, o Mundial de Clubes poderá cimentar a sua presença em competições desse gabarito.

Imagem: Ailton Cruz/Divulgação CBF

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