Emocionalmente conscientes e diferentes

Foi Darwin quem introduziu o conceito de ’emoções autoconscientes’ pela primeira vez na sua obra. São emoções cognitivas que diferem de outras emoções mais primitivas por exigirem autoconsciência e autoreflexão. Inerentemente complexas e que estão, muitas vezes, ligadas à moralidade, desempenham um papel significativo na motivação e na regulação do comportamento, conceitos fulcrais nos contextos desportivos.

Muitos desportos são baseados na busca da perfeição e, portanto, concentram grande atenção nas pequenas falhas. Por todas as questões culturais, religiosas, políticas que influenciam a socialização, instrução/ educação e, logo, as experiências de vida e necessidades emocionais únicas em que diferem dos homens, particularmente no que diz respeito às emoções autoconscientes, as atletas femininas correm um risco maior de sofrer o impacto prejudicial de emoções autoconscientes negativas, incluindo a vergonha e a culpa.

Caracterizada como uma experiência universal e intensa, que prejudica a autoestima e o autoconceito, a vergonha é uma emoção primordial enraizada na crença de que se está ‘danificado’. Sabemos ainda que a vergonha e a autoeficácia estão inversamente relacionadas, indicando que, à medida que a experiência da vergonha diminui, a autoeficácia aumenta. Consequentemente, aumentar a resiliência de uma atleta à vergonha e à culpa aumentaria, por sua vez, a sua autoeficácia e possivelmente o desempenho geral.

O impacto de emoções negativas intensas pode ser diminuído através da prática ativa da autocompaixão. A autocompaixão é frequentemente vista como um método para regular as emoções e permite a transformação de emoções ou experiências negativas num estado emocional mais claro e/ou positivo. Ao fazer isso, ficamos abertos a uma perceção aperfeiçoada, o que leva a uma melhor capacidade de agir de forma efetiva na situação. Além disso, a prática regular de autocompaixão tem sido associada à melhoria da saúde mental e redução das emoções autoconscientes negativas, particularmente a vergonha.

Esta prática envolve uma conexão com as próprias emoções, dor e falibilidade como parte da experiência humana maior. É centrada na bondade autodirigida, maior autoconsciência e evitando o julgamento e a culpa. Envolve três componentes básicas: oferecer gentileza a si mesmo/a (bondade), vendo as experiências como parte de uma conexão humana maior (humanidade comum) e desenvolvendo uma consciência e expressão equilibrada de pensamentos e emoções (atenção plena).

Todavia, é impossível esquecer que cada atleta é única/o e portanto esta avaliação emocional deve ser realizada e trabalhada com ajuda de um/a psicólogo/a inscrito na Ordem dos Psicólogos Portugueses.

Diana Gomes Brito
Psicóloga Clínica, da Saúde e do Desporto e Formadora - Especialista em Igualdade de Género

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