“Encaramos os treinos como se fossem jogos e não nos cansamos de ganhar”

Nome emergente na equipa de futsal feminino do Benfica, Raquel Santos passa em revista o que tem sentido nas águias, cada vez mais perto do tetra

É um dos nomes emergentes no futsal feminino nacional e vai ganhando espaço na equipa do Benfica, onde abunda qualidade. Raquel Santos começou a jogar desde pequenina. “Lembro-me de os meus pais dizerem que adorava jogar à bola aos 7/8 anos”, conta ao Lado F. Por influência da monitora da Primária, foi praticar futebol de sete com rapazes e mais tarde foi convidada por Carlos Cruz, então treinador do Arneiros, para integrar a equipa de futsal. Jogou voleibol, a outra paixão – foi federada -, mas optou pelo futsal, já depois de ter representado “Os Paulenses”. Natural de Torres Vedras, só não aceitou o primeiro convite do Benfica aos 16 anos, por causa dos estudos e das deslocações. A ida para a Luz surgiu dois anos depois, bem como a mudança para Lisboa. Há cinco épocas no clube de coração – chegou a ser convidada pelo Sporting -, faz o que mais gosta e só pensa em evoluir cada vez mais nas águias que já venceram a Taça de Portugal e caminham a passos largos para o tetra.

Tem 22 anos e em 2018 foi considerada a melhor atacante do Mundial universitário no Cazaquistão. Que memórias permanecem?

Foi incrível o ambiente e a forma como eles viviam o desporto lá também. Os pavilhões eram gigantes e foi brutal. Fomos terceiras, um pouco injusto. Senti que podíamos ter ganho e a sensação de receber o prémio nem sei descrever. Tenho a distinção em casa, troféu e medalha. Foi duro fazer treinos bidiários, mas olhar para os troféus dá-me nostalgia. Nunca vou esquecer, o nosso grupo e espírito. E depois muitas de nós demos o salto para a Seleção A.

Olhando para o presente e ao domínio do Benfica e ao atual plantel, pode considerar-se uma superequipa?

É uma ‘super e mega equipa’ [risos]. Acho que neste momento estamos mais fortes que nunca, porque jogamos juntas há alguns anos. Este ano, há uma união que se calhar não sentíamos há algum tempo, na minha opinião. Parece que a entreajuda é diferente e isso nota-se nos jogos. Sempre fomos muito competitivas a treinar, desde o primeiro ano. Mas faltava qualquer coisa e essa união reflete-se nos resultados.

Essa união é reflexo do contexto pandémico?

A grande maioria das jogadoras está em casa e estamos muito tempo juntas em treino e jogo e acabamos por nos unir, porque não há muitas pessoas com que estejamos, além da equipa. Unimo-nos depois dos jogos.

Como é integrar um plantel com Ana Catarina, Fifó, Inês Fernandes, Janice, Sara Ferreira?…

[risos]. Elas são monstros e com tanta qualidade que só posso evoluir e aprender com elas, até coisas mínimas, minuciosas, porque são jogadoras fora do normal. Neste último ano tenho-me destacado mais e posso agradecer-lhes, porque sem elas não teria evoluído tanto e não seria quem sou hoje.

Raquel Santos festeja com Fifó. Foto: Filipe Amorim/Lado F

Tendo em conta o avanço de nove pontos para o segundo classificado, de que forma conseguem manter o foco sem relaxar?

Vem muito da nossa mentalidade competitiva. Encaramos os treinos como se fossem jogos e até temos um jogo entre nós, mais lúdico e somos tão competitivas aí, que nem num jogo conseguimos deixar de ter essa competitividade. A nossa mentalidade é assim e só queremos ganhar e as nossas capitãs transmitem-nos isso, além da nossa qualidade, claro. Isso reflete-se no número de campeonatos que temos. Não nos cansamos de ganhar.

Num olhar para a Taça da Liga, no próximo fim de semana, consideram-se favoritas?

Sim. Vamos defrontar logo o Santa Luzia, adversário que não é fácil, mas acho que vamos ganhar a Taça.

A nível pessoal, ambiciona ter mais minutos e estar no cinco inicial?

Sim. Tem-se refletido ao longo dos anos. Nos três primeiros anos não jogava tanto, depois comecei a entrar mais e no último ano tenho-me destacado mais. Agora, sou cada vez mais ambiciosa e quero ser uma jogadora cada vez mais importante na equipa e aprender mais. Estou com as jogadoras certas para isso.

Raquel Santos é internacional portuguesa. Foto: Filipe Amorim / Lado F

Terá também em mente tornar-se uma jogadora reconhecida mundialmente, como a Ana Catarina, melhor guarda-redes do mundo?

Isso era um sonho, para qualquer jogadora. Acho que a Ana Catarina é a pessoa mais competitiva do nosso plantel. Temos muitas, mas ela é a mais competitiva. Se ganhasse esse troféu, era a cereja no topo do bolo.

Quem tem como principal exemplo na equipa?

A Inês Fernandes. Tem tudo o que uma pessoa e jogadora deve ter. Inteligência, a forma de jogar… tudo, por isso é uma referência.

Tem alguma superstição?

Não, é entrar e ganhar.

Está a estudar?

Estou no segundo ano de mestrado em Gestão de Desporto na Faculdade de Motricidade Humana e estou a fazer estágio no Benfica também. Estou quase a acabar, será concluído em junho.

Ou seja, não pode descurar os estudos, tendo em conta o pós-carreira?

Vamos ter de pensar noutra área depois de terminar a carreira. Sempre pensei assim, porque nunca iria conseguir viver do futsal pelo menos em Portugal.

Raquel Santos tocou excertos de duas músicas para o Lado F

Quais os principais hóbis?

Gosto bastante de jogar Playstation, tocar guitarra, que comecei há cerca de um ano a aprender e ganhei o gosto. Agora, também comprei uma guitarra elétrica. Sei o básico. Gosto de ir ao cinema, o que agora é complicado.

Algum jogo em particular na Playstation?

Call of Duty, sou um bocado viciada. A Sara disse-me e estragou-me [risos]. De vez em quando, jogamos entre nós.

(Fotos: Filipe Amorim/Lado F)

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