Entre o mar e a gestão da surf village

O alívio das medidas restritivas, com abertura de esplanadas, esta segunda-feira, representa um sinal positivo para Teresa Almeida e Ana Adão

A reabertura das esplanadas, a partir desta segunda-feira, representa mais um raio de sol para Teresa Almeida, campeã mundial de bodyboard e Ana Adão, campeã europeia da modalidade. Ambas são as fundadoras do Zulla Surf Village, empreendimento localizado na Nazaré e inaugurado a 10 de junho de 2017. “A ideia surgiu numa viagem para um campeonato, em outubro de 2016 . Em conversa com a Ana sobre a incerteza do futuro e do que gostávamos de fazer, disse-lhe que gostava de abrir um negócio do género e ela prontamente se juntou à ideia. Chegámos de viagem e começamos logo a procurar o sítio ideal para construirmos o Zulla”, conta Teresa. Lidar com a pandemia foi um “grande choque”.

“Não estávamos preparadas e não sabíamos o que esperar nem o que iria passar-se no verão. As ajudas eram poucas e neste momento estamos um pouco mais tranquilas. Trabalhámos bem durante o verão e preparámo-nos financeiramente para a hipótese de termos de lidar com esta situação de confinamento novamente”, prossegue Teresa, que ao contrário de Ana Adão, continua a competir

“Estamos praticamente fechadas desde janeiro. Com as ajudas que temos recebido do governo e com a gestão que estamos a conseguir ter penso que felizmente conseguiremos aguentar e esperar que o verão chegue e que possamos novamente trabalhar bem”, assevera.

Desde o início da pandemia houve contenção de despesas. “Temos tentado gerir da melhor forma para que possamos combater a ausência de receitas.
Penso que até ao verão as coisas vão continuar muito paradas. Apesar de estarmos a reabrir, toda a Europa está a passar uma fase complicada e o turismo está a ser afetado. Relativamente ao verão , já estamos a receber algumas reservas e acredito que até lá as coisas vão melhorar”, diz Teresa, licenciada em Desporto.

Também Ana Adão não tem formação em Gestão – é nutricionista – o que acarreta maior capacidade de lidar com a parte empresarial. “Penso que tudo o que temos conseguido é fruto do nosso conhecimento na área do surf e de todas as viagens que fazemos. Isto, parecendo que não, dá-nos uma grande base para trabalharmos. Depois, com bastante trabalho e dedicação, vamos conseguindo ganhar experiência e melhorar de ano para ano”, refere Teresa.
Além da esplanada do Zulla, também a escola de surf poderá reabrir, o que abre novas perspetivas, mesmo sabendo que não há procura para reservar quartos, a breve prazo. Apenas em maio há algumas reservas.

Ana foi mãe no final do ano de 2020, mas Teresa deu conta do recado, na hora em que não pôde ter tanto apoio. “Neste momento estamos ‘sem trabalho’ desde Janeiro e o pouco que há a fazer, eu vou conseguindo fazer e a Ana também ajuda no que pode. O verão foi mais complicado, pois ela ficou limitada a nível de disponibilidade e acabei por estar mais sobrecarregada em várias coisas. Mas com a covid, logo após o verão quando ela ficou de baixa, havia pouco trabalho e fui sempre conseguindo fazer tudo tranquilamente. Neste aspeto até coincidiu bem com a covid”, sublinha aquela que é uma das melhores bodyboarders nacionais e internacionais.

Sem circuito mundial, Teresa Almeida ambiciona ser campeã nacional. Foto: Facebook CNBB CA 2020

No plano desportivo, Teresa não compete desde finais de outubro, aquando da última etapa do circuito nacional, mas nos últimos tempos com a possibilidade de se poder surfar, não tem faltado à chamada para os treinos.

“Tirando o primeiro confinamento em que estávamos proibidos de surfar, nestes últimos tempos sempre tivemos a sorte de poder surfar sem restrições aqui na zona da Nazaré. A nível pessoal, esta situação acaba por me afetar mais a nível do meu negócio do que a nível desportivo. As minhas preocupações estão todas ligadas a essa parte empresarial”, explica, com o objetivo de ser campeã nacional e evoluir o seu surf em 2021. “Ainda não há calendário de nenhum circuito. Já sei que não haverá circuito mundial devido à situação pandémica, mas certamente haverá Nacional e estarei presente em todas as provas”.

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