Espírito coletivo da “família Sótão” guiou as meninas ao título

A diretora Milene Piló e a capitã Inês Cruz dão-nos conta do feito histórico

A primeira edição do campeonato nacional de futebol de praia feminino terminou com a vitória do Sótão, emblema da Nazaré, cujo segredo para o êxito assenta, em boa parte, na entreajuda e espírito coletivo. Nos “bastidores”, Milene Piló é a diretora da equipa e conta-nos como viveu e ainda vive o momento da vitória. “É uma alegria imensa ver as minhas meninas felizes. Trabalhámos bastante para isso e foi ver os frutos que andámos a semear ao logo deste tempo”, refere Milene ao Lado F. Com uma relação próxima de toda a equipa, não falha um treino ou jogo. “Como costumo dizer, são as minhas meninas, já fazem parte da nossa família Sótão. Já se sentem membros da família e é isso que queremos. Tentamos dar-lhes tudo o que for possível para que se sintam felizes e acho que estão felicíssimas. Muitas delas já têm títulos no futebol de 11 e futsal. Faltava o futebol de praia. Ainda por cima, sendo a primeira edição, elas ficam na história e é muito gratificante. A minha felicidade vem daí, por vê-las felizes”, diz Milene, muitas vezes tratada por “ah Mlene”, em modo típico da Nazaré, pelas jogadoras desta família Sótão.

Milene Piló com a Taça

Autora de um golo na final, a capitã Inês Cruz revela que a dedicatória foi dirigida precisamente para a diretora da equipa. “Teve um importante papel nestes meses de preparação/campeonato, é alguém que ‘respira’ Sótão e deu o melhor de si sempre. Portanto, aquela dedicatória foi minha, mas na verdade é uma dedicatória em representação de todas as jogadoras, porque ela merecia isso de nós”, afiança, ainda com o embate de domingo na memória. “Foi memorável! Feliz por contar na primeira pessoa, que fizemos história em sermos a primeira equipa campeã nacional. Foi um dia muito feliz para todas nós”, diz.

Com emoção a transparecer nas palavras, Milene dá-nos conta da festa possível dada a pandemia. “Quando saímos do estádio, tínhamos à nossa espera o comboio [turístico] e foi-nos oferecida uma viagem pela vila. Fomos sempre a cantar com a Taça na mão. As pessoas que nos viam davam-nos os parabéns, principalmente as da Nazaré que sabiam do campeonato e porque viam os nossos treinos na praia”, sublinha a diretora, cujo marido é Fabinho, capitão da equipa sénior A masculina. “Desde que o conheço que acompanho sempre os jogos e estou ligada à família Sótão. Sempre fui a todo o lado com a equipa e quando o Sótão resolver criar uma equipa feminina, lembraram-se logo de mim, porque acompanhava-os sempre e sabiam o amor que tinha pelo Sótão, por esta família. E que seria a pessoa mais indicada”, conta a responsável.

Além da Euro Winners, Inês já jogou a Champions de futebol de 11

Também para Inês, o futebol de praia não é uma novidade. “Na zona de Leiria sempre houve torneios de futebol praia e ia participando neles. A minha estreia mais ‘oficial’ foi pela Seleção Nacional de futebol praia, num jogo na Suíça, há 10 anos. Depois disso, tenho estado presente na Euro Winners”, recorda. Primeiro, representou a AF Leiria (2017) e no ano seguinte, vestiu as cores do Sporting, seguindo-se o Sótão (2019). Também na Nazaré, Inês alinhou já este ano nas espanholas AD Roquetas, sendo que em 2018, pelo Sporting, venceu o Torneio Sete Saias. “A adaptação é relativamente fácil… o futebol de praia é um pouco mais exigente em termos físicos e quanto mais treinarmos, quanto mais contacto com a bola tivermos, vamo-nos adaptando ao piso e à forma como devemos estar em contacto com a bola”, diz Inês, com um passado no futebol de 11.

Bicampeã nacional pelo Ouriense, vencedora da Taça de Portugal, como a guarda-redes e sub-capitã Petra Niceia, e com ida à Champions, Inês guarda boas recordações. “Dessas duas épocas tenho memórias muito felizes também, conseguimos fazer história no clube e acabar com a invencibilidade do 1.° Dezembro. Fui a um estágio da Seleção Nacional A e joguei com jogadoras que neste momento são referência a nível nacional”, enfatiza, numa alusão a Fátima Pinto, Diana Silva, Joana Marchão, ou Ana Capeta.

A festa, com Petra e Inês a erguerem o troféu

Triste pela ausência de público, naquele que seria uma excelente ocasião para ouvir o apoio das bancadas, além da divulgação da modalidade, Milene ambiciona levar o Sótão à próxima edição da Euro Winners Cup, depois da ausência este ano e de uma presença em 2019. “Não participámos, porque todas elas trabalham e para isso teriam de tirar uma semana de férias. A data também foi mudada, não sabíamos com a devida antecedência o horário dos jogos e apostámos no campeonato nacional. Para o ano, se houver datas fixas, certamente iremos. Há ainda outra factor, pois a Euro Winners costuma ser mais cedo do que este ano. E elas jogam futsal e futebol de 11 e os clubes nem sempre libertam as jogadoras”, afirma Milene, projetando já a defesa do título como meta.

Para Inês, que na última época jogou futsal, a porta do futebol não está fechada e 2021/22 é ainda uma incógnita em termos desportivos.

Inês marcou na final contra a AD Pastéis

Curiosamente, na Casa do Benfica de Leiria foi treinada por Ana Lúcia Correia, com a qual foi agora campeã de futebol de praia.

“A Ana Lúcia foi minha treinadora nos últimos dois anos. Quando joguei a Euro Winners pela a AF Leiria, ela também jogou comigo e este ano, a representar as Roquetas também. Já a conheço há muitos anos, como adversária, como colega de equipa, como treinadora. E ela desempenha muito bem a função… tanto de jogadora, como de treinadora”, refere Inês, que trabalha como Técnica de Controlo de Qualidade numa empresa, mas tem ambição de este ano terminar a licenciatura em Desporto e Condição Física e Saúde em Rio Maior.

Fotos: FPF (exceção à de Milene Piló)

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