Estoril com “virar de página” na luta pelo segundo lugar

Com três derrotas consecutivas, o Estoril perdeu o segundo lugar da fase de manutenção da Liga BPI – zona sul, mas no domingo, no terreno do Amora, líder só com vitórias até então, a equipa da Linha alcançou um importante triunfo (0-1) que deixa para a última jornada a decisão: permanência direta ou playoff. Mariana Coelho, autora do golo do Estoril, mostra-se sastisfeita. “É notório que não temos vindo a atravessar uma boa fase e esta é uma vitória muito importante, porque se não ganhássemos, a possibilidade de ser segundas era remota e é importante para servir como um virar a página. Este último mês temos trabalhado muito bem e em alguns jogos não temos sido felizes, tem faltado um pouco de sorte e neste jogo tivemos a sorte do nosso lado, porque trabalhámos para ela.

Sabíamos que era um jogo muito difícil e tínhamos de ganhar obrigatoriamente, mas fomos com uma pressão positiva e tirámos partido dela. Todas estávamos tranquilas antes do jogo e confiávamos no nosso trabalho. Dá-nos motivação extra para o que aí vem”, refere a avançada que voltou aos golos, depois de ter faturado em novembro ao A-dos-Francos, o próximo rival.

“Marcar é sempre bom e esta época não tem sido fácil. Aos poucos tenho vindo a estar cada vez melhor e o golo é o culminar de todo o trabalho dos últimos meses”, diz, concordando que no ataque, Beatriz Fonseca, conhecida por Bia Meio-metro, é decisiva.

“Costumamos dizer que todas as jogadoras são importantes, mas a Bia tem sempre um papel fundamental tanto na parte ofensiva como defensiva. Desequilibra muito e apostamos muito nela para tirar partido disso. No meu golo, ela faz basicamente o trabalho todo, só tive de encostar quase, mas é de realçar o trabalho de toda a equipa toda. Marcámos cedo e foi um jogo de muito sacrifício, principalmente na segunda parte, em que já estávamos cansadas e com as jogadoras em dificuldades físicas. Foi muito na raça e na união”, afirma Mariana, técnica superior na divisão de desporto da Câmara Municipal de Cascais.

Na primeira volta, em casa, com o Amora, Mariana entrou na segunda parte. Foto: Filipe Amorim / Lado F

No domingo, em casa, o Estoril tem pela frente o A-dos-Francos, já despromovido e depende ainda do resultado do Atlético Ouriense para ser segundo. Mariana não acredita em facilidades. “Em casa delas, estivemos a perder na primeira parte e marcámos o golo da vitória nos instantes finais e isso diz tudo sobre a postura delas. Não dão nenhum jogo por perdido. Será um jogo diferente em relação ao Amora, mas vai ser igualmente difícil, porque o A-dos-Francos é muito agressivo”, afirma a avançada de 25 anos, que só voltou aos relvados esta época.

Uma rotura de ligamento cruzado anterior e parte do menisco forçou operação e que falhasse toda a época passada. “A recuperação e fisioterapia é complicada, mas o retorno também e tenho sentido isso na pele. Tenho oscilado entre estar bem e estar mal e não é bom para mim e para o Estoril. Tentar estar igual ao que éramos antes da operação não é nada fácil, é uma gestão difícil”, diz, referindo-se à onda de lesões que assolou o Estoril.

“Esta época tem sido muito complicada a esse nível. Na maior parte dos jogos não temos 18 jogadoras que estejam todas bem fisicamente. Temos treinado com um plantel relativamente curto e as lesões nunca ajudam e afetam imenso. Tem sido um ponto negativo para nós, mas faz parte, num ano atipico”, completa.

Marina treina as sub-17 femininas do Estoril, com Pipa, defesa-central. Foto: Filipe Amorim / Lado F

Influenciada pelo pai e tio, que jogaram futebol e têm experiência como treinadores, Mariana optou pelo desporto-rei depois de praticar hóquei. Debutou a extremo, mas passou a ser ponta-de-lança no Fofó.

Também treinadora das sub-17 femininas do Estoril, onde tem a central Pipa a seu lado, a atacante tem no currículo três títulos nacionais (dois pelo Ouriense e um pelo Futebol Benfica), jogou a Liga dos Campeões e já ergueu a Taça de Portugal e a Supertaça.

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