Glenda decisiva no Gil Vicente: “Vim para trabalhar, mas trouxe as chuteiras na mala”

Autora do golo que valeu a vitória gilista sobre o Damaiense conta-nos o seu percurso

Glenda Falcão, avançada brasileira, foi a autora do segundo golo do Gil Vicente, que consumou a reviravolta frente ao Damaiense na primeira mão do playoff de manutenção/despromoção. Na hora de festejar o remate certeiro que ditou o resultado final (1-2), Glenda tirou a camisola, um festejo pouco frequente, assim explicado. “O golo é sempre uma explosão de emoções. Penso sempre em fazer alguma comemoração e naquela hora fiz o que me veio à cabeça e quando percebi já estava sem camisola”, diz Glenda, satisfeita pelo triunfo que deixa o Gil mais perto de continuar na Liga BPI.

“A sensação de marcar é a melhor possível, de se estar no lugar certo e na hora certa. Esse golo vem para coroar um trabalho coletivo de toda a equipa. Esse resultado positivo dá-nos uma vantagem, mas não vejo o Gil como favorito pois ainda está em aberto”, diz, sobre a segunda mão, em casa, a 16 de maio.

Foto: Tiago Tavares / Lado F

A avançada de 33 anos chegou a Portugal na época passada e teve o Felgueiras como primeiro clube. A mudança teve motivos fortes que Glenda transmite. “Joguei muitos anos no Brasil e quando me formei na universidade resolvi apostar na carreira de PT e treinadora, ficando três anos sem jogar. Após uma perda irreparável na minha vida, resolvi mudar de país e tentar uma vida nova”, diz a jogadora, assumindo que nem pensava no futebol quando chegou a Portugal. “Vim para trabalhar e não para jogar, mas trouxe as chuteiras na mala”, sublinha. “O primeiro clube que me deixou treinar foi o Boavista, mas por questões burocráticas não consegui ser inscrita”, admite. Foi o Felgueiras que a acolheu.

“Mesmo com a demora na inscrição, consegui jogar alguns jogos. Depois, recebi o convite do Clube Condeixa através da JN Agents e confesso que tive muitas dúvidas por deixar um clube que me ajudou a entrar no cenário nacional, mas o Condeixa iria jogar uma Liga BPI e seria um ótimo desafio pessoal”, vinca.

Assim foi, cumpriu a primeira metade da época no Condeixa, até ingressar no Gil no mercado de inverno. “No Condeixa, aprendi muito sobre o estilo do futebol português que é muito diferente do brasileiro e isso ajudou-me bastante. O Gil apareceu como uma oportunidade em que eu queria estar perto dos meus. Mesmo com o interesse de outro clube, praticamente fechado, dei prioridade a estar perto de casa, em Felgueiras”, conta a avançada que concilia o futebol com o trabalho, como sempre fez. Em processo de obtenção de dupla cidadania, Glenda trabalha numa fábrica de calçado em Felgueiras.

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