De regresso à competição, cerca de um ano depois de grave lesão, Jéssica Silva, que foi lançada por Francisco Neto na segunda parte do jogo com a Finlândia, mostrou-se satisfeita por voltar a jogar em partidas oficiais. “Foi bom voltar a jogar pela Seleção e estar com as minhas colegas. É óbvio que gostava que tivéssemos ganho à Finlândia e eu tivesse contribuído mais. Aquele golo delas nos instantes finais foi um golpe duro que não esperava. Mas o jogo não deixa de ser especial pelo facto de ter regressado”, disse a atacante aos canais da FPF.

Cumprido este domingo um treino em Larnaca, local onde terça-feira Portugal encerra a fase de grupos de qualificação para o Euro’22, ante a Escócia, Jéssica quer os 3 pontos. “O jogo é para ganhar porque queremos voltar para casa com boas sensações e preparar o play-off de abril com mais tranquilidade. Além disso, é mais uma oportunidade para afinar processos e amealhar mais pontos na fase de grupos, o que pode ajudar-nos a subir no ranking. Apesar de termos ganho à Escócia já neste apuramento, é uma equipa com mais experiência internacional e mais cotada no ranking de seleções da FIFA. Tem muitas jogadoras a disputar o campeonato inglês, que é um dos mais competitivos do mundo”, explicou”, comentou, sem disfarçar a tristeza no seio do grupo.

“Ficámos tristes, mentiria se dissesse que não. O nosso jogo não estava a ser perfeito mas estávamos a fazer o que nos competia e estivemos muito perto de marcar e pontuar. Portugal continua a depender só de si próprio e isso é que importa”, disse, admitindo que sofreu bastante com a lesão.

“Dez meses de sofrimento. Fiz uma cirurgia para reconstruir o tendão de Aquiles. Foi sem dúvida a lesão mais complicada que sofri, em que o processo de dor esteve sempre ligado ao processo de recuperação. Por vezes, era difícil abstrair-me da dor”, sublinhou Jéssica, dando conta de outro episódio, ao marcar um golaço com o pé intervencionado, num amigável pelo Lyon.

“Quando marquei, lembrei-me logo do Doutor Noronha, que me disse que o meu pé esquerdo ainda daria muitas alegrias. Assim foi. Tinha o receio natural de rematar em força com o pé operado, mas esse sentimento desvaneceu-se após o golo. Voltar daquela maneira foi importante. Deu-me mais confiança e incentiva-me a ser a Jéssica que era antes da lesão”.

A atacante falhou a qualificação para o Europeu anterior e a estreia de Portugal nesta prova em 2017, devido a outra lesão, mas desta feita, o pensamento é diferente. “Antes, estava a torcer por fora, à distância. Agora estou dentro da equipa e quero muito ir pela primeira vez ao Europeu. Não me passa pela cabeça a possibilidade de Portugal não se apurar. O jogo em Helsínquia foi uma pedra no nosso caminho, mas estou confiante de que não nos impedirá de avançar para Inglaterra”, disse Jéssica, campeã europeia pelo Lyon.

“Quero conquistar mais edições da Liga dos Campeões, quero ir a fases finais com a minha Seleção, quero evoluir sempre mais. Sou daquelas pessoas que acreditam que é sempre possível fazer mais e melhor, e que só saindo da zona de conforto conseguiremos traçar novas metas e objetivos”.  

Foto: FPF

Deixe um comentário!