Kessler defende oportunidade para o feminino

A Jogadora do Ano em 2014 e agora responsável máxima pelo futebol feminino para a UEFA, Nadine Kessler, defende que o futebol no feminino apenas necessita de oportunidades, tendo também direcionado elogios a Portugal e à sua Seleção

Foi no âmbito da Portugal Football School, organizada pela FPF, que o órgão federativo nacional teve a oportunidade de chegar à fala com Nadine Kessler, de 32 anos, que já conquistou a distinção de melhor jogadora do Mundo em 2014 e alcançou o título de campeã europeia pela seleção da Alemanha em 2013. Terminou a carreira na plenitude das suas capacidades e atualmente desempenha o cargo de responsável máxima da UEFA para o futebol feminino, tendo sido colocada perante o primeiro estudo do Portugal Football Observatory, ‘Como angariar e reter mais no futebol feminino’, e elogiado o mesmo.

Kessler, uma das figuras de maior relevo para o futebol alemão, deu conta de algumas das estratégias da UEFA para continuar a desenvolver o futebol feminino no que à formação diz respeito, especialmente depois de os vários Campeonatos da Europa terem sido adiados por imperativo da pandemia. “Estamos particularmente preocupados com as nossas jovens, não é fácil para jovens jogadoras de topo enfrentarem uma paragem tão grande, temos a noção clara de que não organizarmos as nossas principais provas não foi favorável para elas. Contudo, estamos otimistas para o futuro próximo,” afirmou.

“Vamos introduzir um novo formato na próxima época, que esperamos possa ajudar a compensar os jogos perdidos e dar oportunidades de competição às jogadoras, é importante passar a ideia de que trabalhamos com grande proximidade em relação às nossas federações na tentativa de ajudar em tudo o que pudermos, seja a nível individual seja através de financiamentos que este ano, excecionalmente, poderão ser utilizados para medidas de combate aos efeitos da COVID
,” anunciou a antiga estrela alemã que considera que o Mundial 2019 poderá ter representado um ponto de viragem.

Antiga melhor jogadora do mundo elogiou o trabalho que tem sido feito no futebol feminino

O enorme mediatismo que a competição conheceu poderá ter sido o impulso de que a modalidade necessitava para subir em definitivo. “Completamente, o Mundial decorreu de forma fantástica e pela primeira vez podemos dizer que todos os olhares estiveram virados para esta prova. A qualidade do jogo foi uma boa publicidade também, este Mundial provou que se tiverem oportunidade de consumir este desporto, as pessoas fazem-no. Precisamos de continuar a ter isto em mente e encarar os próximos eventos com espírito otimista,” perspetiva Nadine Kessler.

A antiga centrocampista exemplificou algumas práticas de sucesso praticadas sob a égide da UEFA. “Há ótimos exemplos em diferentes áreas, a nível de clubes precisamos de tirar o chapéu ao Olympique Lyonnais pelo alto profissionalismo em tantos anos, mas há outros clubes a trabalhar muito bem no futebol feminino, a fazer bom recrutamento e a produzir muito talento por toda a Europa. Mas podemos também falar de Ligas e ver que elas estão a crescer por toda a parte”, inclusivamente em Portugal e nomeadamente nos anos mais recentes.

Sobre Portugal, Kessler não poupou nos elogios. “Penso que tiveram um excelente desenvolvimento, têm treinadores de alta qualidade e nos últimos anos vê-se como as vossas equipas progrediram, desde as camadas jovens até à Seleção A,” da qual obviamente foi adversária quando representou a Alemanha até porque foi presença notada em várias edições da Algarve Cup, sobre as quais as recordações são as melhores: “sempre gostei muito da Algarve Cup. É um torneio muito competitivo, são jogos que significam muito para nós e fiquei muito feliz por ganhar a prova uma vez e marcar lá alguns golos,” declara.

Do relvado para o gabinete, Kessler reconheceu ter necessitado de “apanhar o ritmo”

“São boas memórias,” conclui, refletindo depois sobre a transição imediata que conheceu entre os cargos de jogadora e de responsável máximo pelo futebol feminino para a UEFA – em dois anos a germânica trocou o relvado pelo gabinete…e logo um de enormíssima responsabilidade. “Honestamente sim, foi difícil, qualquer jogador que dê o passo para o nível diretivo tem de perceber que há muito trabalho à sua espera e que tem de trabalhar muito para ter uma transição suave. Fiz o melhor que podia, dei o que tinha,” garantiu esta figura de proa do futebol feminino internacional.

“Quis estar certa de que tinha para dar à minha organização, a UEFA, algo mais do que ser apenas uma antiga jogadora, estou imensamente feliz pela forma como as coisas decorreram, estou grata, adoro o meu trabalho, mas não há dúvida de que uma ex-jogadora tem de se esforçar muito para apanhar o ritmo do lado administrativo do futebol,” no qual estará a assistir ao próximo Europeu, que se realizará em Inglaterra e será com toda a certeza especial visto que, recorda Kessler, “o futebol é especial em Portugal, na Alemanha, em Itália, e naturalmente também em Inglaterra.

Por fim, a campeoníssima alemã não se esqueceu de deixar uma mensagem de incentivo para a Seleção Nacional que irá procurar a qualificação para o segundo Europeu da sua história…e logo de forma consecutiva. “Se voltar a colocar-me nos meus tempos de atleta, posso dizer-vos que não vão querer perder essa oportunidade. Se fosse treinadora delas, se a UEFA fosse treinadora da Rússia ou de qualquer outra das equipas envolvidas no play off, dir-lhes-ia que se trata de uma oportunidade única, que não surge muitas vezes na vida, portanto façam o que puderem para não a perder. É mesmo especial,” vincou.



(Foto: facebook.com/frau.kessler/)

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