Mafalda Marujo diz ter meta clara: “Ser a primeira a marcar 100 golos”

Por entre as contratações, que incluíram novo treinador, Gonçalo Nunes, e as várias renovações faltava ao Amora incluir o nome da melhor marcadora da história do seu futebol feminino, a experiente Mafalda Marujo, que prolongou o seu contrato até ao final da época. Após ter oficializado a sua continuidade, a atacante de 29 anos reconheceu que nesta altura o seu percurso e do próprio clube quase que se complementam dada a influência que o seu contributo tem tido para o clube – 72 golos marcados em 39 jogos oficiais, distribuídos pelas duas últimas épocas.

Apesar de satisfeita na Margem Sul do Tejo, que se desengane quem pense que Mafalda Marujo está, de alguma forma, acomodada ao clube no qual se sente feliz – a ascensão do Amora é, para a sua capitã, para continuar e o regresso à Seleção Nacional, cerca de dois anos após a última convocatória e mais de cinco desde a última internacionalização, é um sonho que certamente não descarta em conversa que manteve com o Lado F.



Arrancará para a terceira época ao serviço do Amora, numa ligação que se prolonga desde que o clube ainda militava na II Divisão e ascendeu à Liga BPI. Na época passada, a estreia do clube na Liga BPI parece ter indiciado a cimentação que procuram. Esta renovação tem também que ver com isso? Pode dizer-se que o percurso da Mafalda Marujo e do Amora quase se complementam nos últimos tempos?

Sim, podemos dizer que se complementam, porque quando cheguei ao Amora foi com o objetivo e o plano traçado que conseguir, logo no primeiro ano, que a equipa conseguisse o seu objetivo que era subir à primeira divisão, que conseguíssemos subir. Proporcionou-se, conseguimos subir mesmo com a pandemia e todos esses aspetos que não foram nada bons, mas apesar de não termos acabado a época subimos com mérito, porque subimos em primeiro lugar e porque se não estivéssemos em primeiro lugar na série não éramos nós a ter subido.

Portanto, temos todo o mérito em ter subido. Depois, o ano a seguir foi a confirmação de que devemos estar na primeira divisão pois mantivemo-nos, portanto o meu percurso no Amora vai para a terceira época e estou otimista.

“Eu não sou uma ponta-de-lança pura, sou mais extremo, estou na linha avançada, mas mais nas linhas. Mas ainda antes de virem a Ana Rocha ou a Sara Brasil eu já estava no clube e foi aí que fiz os 65 golos na II Divisão…”

A Mafalda teve muito impacto nos clubes que anteriormente representou, mas muito concretamente no Amora isso denota-se ainda mais – falamos de 72 golos em 39 jogos oficiais, uma média impressionante, tanto mais que não se trata de uma pura avançada de área, a Mafalda é mais móvel, parte desde uma das alas. Tendo em conta que o Amora é, por norma, uma equipa muito ofensiva e agrega várias jogadoras de ataque em simultâneo, isso também ajuda a que tal aconteça?

Efetivamente eu não sou uma ponta-de-lança pura, sou mais extremo, estou na linha avançada, mas mais nas linhas, como disse. Ainda assim, sou uma jogadora rápida, que gosta de fazer golos, daquela decisão de marcar, não tenho qualquer tipo de problema com isso e ainda antes de virem a Ana Rocha ou a Sara Brasil eu já estava no clube e foi aí que fiz os 65 golos na II Divisão. Esta época não me correu, em termos de golos, como eu gostaria, mas já me estou a preparar para a próxima e tenho um objetivo claro, que é o de ser a primeira jogadora a chegar aos 100 golos no Amora.

Seja com o número de jogos que for, quero ser a primeira jogadora a marcar 100 golos pelo Amora, por isso…claro que o facto de termos uma linha avançada que gosta de golo e que marca muitos golos para mim também é uma vantagem, não é? Ajuda-me a mim e a elas.

Mafalda Marujo renovou contrato com o Amora e tem como objetivo chegar à centena de golos (Foto: Amora FC)

A Mafalda tem atualmente 29 anos e tem um percurso já cimentado, com uma passagem longa pelo Futebol Benfica quando este discutia títulos e tinha um impacto bem maior no futebol nacional, seguida por uma passagem por Itália. Essa experiência acumulada faz a diferença? Dá ainda mais sentido a esta renovação?

Sim, claro que sim. Claro que a experiência, a bagagem acumulada que eu trago e tenho, esta experiência que tenho é boa. A experiência faz sentido para a renovação…e não faz: eu estou a renovar com o Amora porque sinto que o clube tem boas condições e proporciona boas condições às jogadoras, à atleta, e é um clube com visibilidade. Claro que o que trago de ‘bagagem’ é bom para mim, mas também é bom para o clube, pois é bom ter uma jogadora que já foi campeã nacional, uma primeira divisão, que já ganhou uma Supertaça, uma Taça de Portugal…e o Amora trouxe-me outra divisão que não tinha no currículo.

Tinha conquistado até uma Taça da AF Lisboa, mas nunca tinha conseguido uma subida de divisão na II Divisão, não tinha isso no meu currículo a não ser agora com o Amora. Portanto, fez sentido para mim também renovar porque vejo que o Amora tem potencial, não só como para mim, como para as miúdas que estão a começar agora, é um clube que ainda vai dar muito que falar daqui para a frente, espero eu. Daí eu ver sentido em renovar, em querer ajudar o clube e ajudar-me a mim própria, como é óbvio.

“Vejo que o Amora tem potencial, não só como para mim, como para as miúdas que estão a começar agora, é um clube que ainda vai dar muito que falar daqui para a frente, espero eu”

No corolário dessa carreira já recheada, há também internacionalizações A por Portugal. É uma etapa que ainda não está fechada? Não joga oficialmente pela Seleção Nacional há pouco mais de cinco anos – uma etapa de destaque no Amora faria com que esse sonho de regressar à seleção pudesse efetivar-se?

À Seleção Nacional, efetivamente não vou há dois anos. A jogar, é exatamente isso: há cinco anos sensivelmente, há dois anos que lá não vou, há quase três, porque em 2018 cheguei a ir a um estágio da Seleção, mas foi apenas a um estágio, não houve jogos oficiais. É uma pergunta difícil, porque há muitas coisas que não controlo, mas não interessa estar aqui a falar disso, não adianta… não vou dizer que não gostava. Gostava, como é óbvio, e uma boa época no Amora, na primeira divisão, talvez me lá levasse novamente mas sinceramente não sei.

Não sei porque já tive uma boa época – OK, que era na II Divisão, mas foi ainda assim uma boa época e não fui, fui simplesmente a um estágio, portanto não sei até que ponto quais são os critérios neste momento, não sei o que é que pretendem. Se fosse chamada era muito bom, como é óbvio, gostaria e gosto muito de representar o meu país, seja de que maneira for, e se não for chamada continuarei a dar o m eu máximo sendo exigente comigo mesma para que o clube esteja bem e eu também.

(Foto: Filipe Amorim / Lado F)

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