Margarida Sousa, a leoa “desconhecida”: “Sou uma jogadora muito intensa, aprendi nos EUA”

Por entre os reforços que a equipa feminina do Sporting apresenta para a próxima temporada, um caso distingue-se dos demais por ter sido recrutado… entre portas: Margarida Sousa viveu uma época pouco habitual, tendo chegado para reforçar a equipa principal, mas numa perspetiva de médio prazo, tendo por isso cumprido toda a época 2020/2021 ao serviço do Sporting B para agora passar, a título definitivo, para a equipa principal feminina, depois de renovar com as leoas. Um passo que ansiava há um ano e para o qual, em declarações exclusivas ao Lado F, se mostrou totalmente preparada.

Está consumada a sua subida à equipa principal depois de ter cumprido toda a época no Sporting, ainda que na equipa B. Será, assim, um objetivo cumprido…


Sim, sim, sim. Claramente, era o objetivo que queria e tive todo o ano a trabalhar para isso, na verdade. Mas se há sítio bom para trabalhar é o Sporting, não acho que tenha sido tempo perdido, teve coisas muito boas e agora é um objetivo cumprido e quero aproveitá-lo.



Avaliando, agora, a sua época: não é muito frequente uma jogadora vir para o Sporting com a ilusão de vir para a equipa A, que luta por títulos, e saber que irá estar um ano na equipa B, numa II Divisão. Pode dizer-se que não foi um sacrifício, mas sim um momento de aprendizagem?

Sim, acho que sim, claramente. E já pensei muito sobre isso, claro que agora tenho uma distância um pouco maior do que quando estava a passar por esse momento e tinha todas essas dificuldades e obstáculos para transpor. No final de contas, se calhar uma coisa que aprendi foi a errar, a falhar e só assim poderia pensar em chegar ao nível a que o Sporting está, porque se estava naquela posição era porque tinha de subir o nível e com jogadoras que têm uma experiência incrível, muito boas, que estão na equipa A, pode aprender-se sempre todos os dias.

Mas mesmo com as jogadoras mais novas, que estão na equipa B, também aprendi com elas. A verdade é que há lá jogadoras com muito talento, mesmo, e por isso sim, foi uma aprendizagem e um ano diferente, mas houve coisas com as quais posso aprender e é isso que vou levar para o meu percurso agora.

“Eu tinha de subir o nível e com jogadoras que têm uma experiência incrível, muito boas, que estão na equipa A, pode aprender-se sempre todos os dias. Mas mesmo com as jogadoras mais novas, que estão na equipa B, também aprendi com elas. A verdade é que há lá jogadoras com muito talento, mesmo”

Acha que o facto de ter chegado ao clube e ter já essa ideia pré-concebida de que o seu destino seria a equipa A, mais tarde ou mais cedo, serviu também de estímulo? Chegou e teve de esperar um ano…

Não sei se posso olhar dessa forma, não acho que estivesse à espera, eu não estava à espera. Claro que não estava à espera no sentido de ficar à espera disto, foi um ano para esperar, claro que era uma ambição que tinha, queremos sempre o mais alto nível possível, mas não fiquei à espera. Não foi uma desilusão, por assim dizer.

Ser a incógnita pode torná-la a surpresa da equipa, por não ser tão conhecida, mesmo pelos adversários? Quase como se tivesse quase ‘nascido’ agora uma jogadora no Sporting?

É verdade, mas assumindo que essa pergunta faz sentido por eu ser portuguesa. Então, as pessoas deveriam conhecer-me melhor porque sou portuguesa e, se calhar, tenho o papel de uma estrangeira, não exatamente uma estrangeira mas na mesma condição: não sabem como jogo, é verdade, não sabem as minhas características, mas não sei se isso vai influenciar ou não, acho que não vai influenciar nada, na verdade.

Se a surpresa pode ser boa? Pode, sim (sorri). Vamos ver o que vai acontecer, não sei, acho que não estou preocupada com isso. Não acho que as pessoas precisem de me conhecer, nem de saber as minhas características. Acho que vão passar a conhecer.

Leva um ano de Sporting, mas ainda antes de sair de Portugal poderia ter vindo para o Sporting. Como aconteceu?

Certo, é verdade. No início do projeto tive a oportunidade de fazer parte da equipa, mas na altura não estava cá e tinha acabado de tomar a decisão de ir para os EUA, decidi que não era a altura ideal para regressar. Acho que agora sim, é o momento.

Margarida Sousa na companhia dos seus representantes, Paulo Veríssimo (KSirius) e Raquel Sampaio. (Foto: Sporting CP)

Passou uma parte da sua vida nos EUA, a estudar e a jogar no campeonato universitário. Isso tornou-a melhor jogadora? Recomendaria? Sai de Portugal jovem, em idade de formação, e complementou-a nos EUA, onde o ‘soccer’ é bastante evoluído, como queremos que o seja aqui… melhorou como jogadora nesse período?

Sim sim, sem dúvida até porque ainda estive lá quatro anos e ao estar esse tempo num sítio, seja ele qual for, há sempre forma de evoluir e aprender, pelo menos gosto de estar num sítio onde possa aprender e nos EUA claro, eles estão a um nível diferente. Não tem de ser necessariamente a um nível melhor ou pior, é diferente, eles já começaram há mais tempo e houve muita coisa a que tive acesso na altura que não teria aqui e se calhar agora essas condições já são dadas aqui, mas na altura não. Se recomendaria? Acho que não posso fazer uma recomendação geral.

É diferente e eu na altura precisava de alguma coisa diferente, estava à espera de algo diferente, mas aprendi muito, sem dúvida. Fez de mim uma jogadora diferente do que seria se tivesse, se calhar, ficado aqui como tudo na vida, na verdade.

Nos EUA jogou sempre na mesma equipa? Na mesma faculdade?

Sim. Portanto, o que acontece lá, como o futebol está muito ligado à universidade, não há muitas transferências, as pessoas vão para a universidade, ficam na mesma a fazer o curso e em quatro anos, que é o tempo do curso, ficam na mesma equipa. Eu como estava na North Alabama fiquei na mesma equipa quatro anos.

“De certeza que gosto mais de jogar no meio-campo, acho que é a única posição do futebol que vale a pena (risos)… Não, não é verdade (sorri), mas jogo no meio-campo, não necessariamente fixa…”

Sai de Portugal para os EUA e quando regressa não é diretamente para o nosso país, mas sim para Espanha. Por que motivo isso acontece? Ter saído do nosso ‘radar’ prejudicou-a no momento de regressar?

Acho que não prejudicou, o motivo também foi decisão, escolha. Se calhar, na altura até tinha algum receio de voltar a Portugal, passados quatro anos (sorri) e foi opção, achei que, na altura, a melhor oportunidade que tinha era ir para Espanha primeiro, mas não foi nada para evitar o regresso ou coisa do género. Depois, agora que penso, acho que foi bom eu ter ido para um pouquinho mais perto e depois ter voltado a Portugal…

No seu início, estreia-se na I Divisão quando representou o 1º Dezembro, quando este era a força dominadora em Portugal. Apesar de ser ainda muito jovem, chega a estrear-se e mais tarde ainda representa o Belenenses, também na agora Liga BPI – todos estes anos depois, isso representa uma vantagem? Não sente aquela pressão de jogar na primeira precisamente porque já o fez, jovem e de forma natural?

Sim, acho que pode ser uma vantagem. É diferente, já foi há alguns anos, acho que já não estou a pensar na altura em que joguei na I Divisão, quando ainda era mais jovem. Era o momento, sou uma jogadora diferente agora, uma pessoa diferente desde então e é a pressão normal do jogo – o futebol é isso, queremos subir sempre e vai sempre haver responsabilidade, especialmente no Sporting há sempre responsabilidade. Faz parte e até é aliciante.

“Acho que sou uma jogadora muito intensa e se calhar isso é algo que aprendi nos EUA pelo ritmo, pela parte física”

Diz ser uma jogadora diferente do que era antes. Que tipo de jogadora é a Margarida?

De certeza que gosto mais de jogar no meio-campo, acho que é a única posição do futebol que vale a pena (risos)… Não, não é verdade (sorri), mas jogo no meio-campo, não necessariamente fixa e em qualquer das posições no meio-campo e como me defino… acho que sou uma jogadora muito intensa e se calhar isso é algo que aprendi nos EUA pelo ritmo, pela parte física. Sem maldade, é verdade (risos)… gosto de lutar pela bola, de pensar o jogo também, da parte de ‘desconstruir o puzzle’ no meio-campo e resolver de forma a ajudar a equipa.

Para concluir e sobre o futuro: irá entrar na equipa principal de um Sporting que está a operar muitas mexidas. Acha que esta reformulação pode ser benéfica para quem entra, para quem precisa de espaço?

Não sei se está certo dizer que sim, claro que uma jogadora precisa sempre de espaço e se o espaço for criado é bom, mas cada jogadora tem de criar o seu próprio espaço e acho que a única coisa que tenho de pensar é no trabalho que essas jogadoras que saíram fizeram e o meu trabalho agora é respeitar esse trabalho, esse progresso e tudo o que foi conquistado até agora e criar o meu próprio espaço, ter o meu próprio espaço. Acho que não vou roubar o espaço que estão a deixar vazio, vou criar o meu e logo se vê, não estou a substituir ninguém.

(Foto: Sporting CP)

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