Mariana Cabral avalia: “Estamos preparadas, mas há processos a cimentar – é tudo novo”

Mariana Cabral, treinadora da equipa feminina de futebol do Sporting, recebeu os jornalistas na Academia, em Alcochete, para fazer um balanço da pré-época das leoas, na antecâmara do arranque da época, diante das campeãs nacionais do Benfica, na Supertaça a disputar no próximo sábado no Restelo.

“É um balanço muito positivo. Obviamente, é uma ocasião especial. Estamos a começar uma época, estamos a criar um novo grupo – o staff é novo, há jogadoras novas que chegam de fora, outras que transitam da formação, algumas jogadoras também saíram da equipa… O mais importante era integrar esta gente toda. Depois, criar uma equipa, de facto: criar uma nova forma de jogar, de atacar, de defender, novas dinâmicas. Tem corrido muito bem, elas têm tido uma disposição muito boa a tudo aquilo que temos apresentado e estamos completamente preparadas para o primeiro jogo”, afiançou a técnica de 33 anos.

Sobre a renovação do plantel leonino face à época passada e ao resultado da mescla entre a juventude e a experiência que se verifica no atual grupo, a confiança de Mariana Cabral não vacila: “Acho que tem sido uma mescla muito boa e resulta num grupo muito forte. Há aqui jogadoras que já cá estavam há muito tempo, outras que subiram a partir da formação e sabem muito bem o que é o ADN Sporting e as outras que vieram de fora perceberam rapidamente o que nós queríamos e o tipo de mentalidade pretendido. O grupo das capitãs também foi muito importante nesse sentido, assim como o estágio que fizemos no Algarve, para integrar as novas jogadoras.”

Sobre o dérbi de dia 28 que pode valer um troféu, a treinadora do Sporting parte com boas perspetivas. “Vai ser uma festa muito bonita. Estive no outro jogo no Restelo, então como espectadora, no primeiro dérbi de todos [a 30 de março de 2019, por Moçambique], foi uma festa bonita, um resultado bonito [vitória do Sporting por 1-0], espero que seja algo semelhante. Acho que estamos todos muitos contentes, especialmente com a presença dos adeptos. Há muito tempo que o futebol feminino não tem pessoas nos estádios e precisa muito. O futebol feminino precisa muito de apoio, de crescer, de visibilidade, e nós, intervenientes, temos que fazer tudo para que haja um bom espetáculo, para que as pessoas queiram ver futebol feminino e levem a família”, vaticinou.

Desafiada a pronunciar-se se o Sporting que se vai apresentar no sábado já será a versão final para 2021/22, Mariana Cabral remeteu ao pragmatismo. “É praticamente impossível dizer que uma equipa está pronta ao fim de seis semanas de pré-temporada. Sobretudo porque, como disse, é tudo novo. Claro que já estamos preparadas para competir, sem dúvida, mas há processos que levam o seu tempo a cimentar”, vincou, antes de conceder: “Há equipas que já estão juntas há mais tempo, com a equipa técnica, já se conhecem umas às outras, sabem quem gosta mais de receber no pé ou na profundidade, esse tipo de coisas ganha-se com o tempo.” “Mas, obviamente, estamos perfeitamente confortáveis com a pré-época que fizemos e preparadas para competir”, assegurou.

O presidente leonino, Frederico Varandas, esteve ontem na Academia a incentivar as jogadoras do Sporting (Foto: Filipe Amorim / Lado F)

Face à aposta reforçada do Sporting nos escalões da formação por parte do Sporting, Mariana Cabral viu-se perante o desafio de se pronunciar sobre a escolha do comando técnico ter recaído sobre si. “Casamento perfeito? (risos) Essa, se calhar, é uma pergunta para o presidente… Mas estou aqui porque acredito muito neste projeto, nas ideias que estão a ser implementadas, agora também no futebol feminino, mas nos mais variados escalões e modalidades, faz parte do ADN do Sporting ter jovens da formação a serem criadas com a mentalidade pretendida. Isso é ótimo e faz parte deste clube, não ter medo nenhum de apostar na formação. E misturar isso com a experiência de algumas jogadoras que já cá estavam e outras que vieram de fora, é assim que se fazem os grupos. Acima de tudo, é preciso entender que estamos cá todos para valorizar o Sporting, independentemente de termos 17 anos ou 35, de ser o primeiro ano ou sermos capitãs há seis anos”, enfatizou.

A articulação do novo modelo técnico também foi abordado e o papel de Beatriz Teixeira, sua adjunta na equipa principal e timoneira da equipa B vincado. “Tinha uma excelente relação com a professora Susana Cova e acho que essa relação vai manter-se. Se calhar, até de forma mais próxima, porque uma das intenções que tivemos em colocar a Beatriz Teixeira como parte integrante desta equipa técnica foi precisamente essa, de fazer a ponte entre a formação e a vertente profissional, facilita o trabalho de todas e o aproveitamento da formação para ser lançado pelo lado profissional”, explicou Mariana Cabral.

“Há que felicitar o Benfica, porque é importantíssimo para Portugal ter equipas que vão longe na Liga dos Campeões”

“Já analisámos o Benfica, como é óbvio”, assumiu. “Primeiro, felicitar o Benfica, porque é importantíssimo para Portugal ter equipas que vão longe na Liga dos Campeões, nós em termos de ranking europeu estamos um bocado abaixo daquilo que é a nossa real valia, precisamos de subir, todos. Desde o Ouriense, que passou à próxima fase, o Braga, agora o Benfica, é importante que todos percebam que o futebol feminino português precisa de crescer e que estamos todos juntos nesta luta. Claro que depois, em certas alturas, somos rivais, é normal. Estamos preparadíssimas: sabemos como é que o Benfica vai atacar, como vai defender, tudo pronto para o jogo”, garantiu.

Por fim, uma palavra para a inclusão de jogadoras de nacionalidades tão diversas como Croácia, Espanha, Bósnia e Herzegovina, Canadá ou China: “Estão muito bem adaptadas, o estágio também ajudou, a praxe e tal, o normal. Elas já dizem as palavras mais importantes em português, vocês sabem quais é que são. Tem sido ótimo. O grupo tem recebido muito bem todas as jogadoras e é importante ter um grupo em que todas se sintam importantes, ouvidas, integradas e envolvidas. Depois, cá dentro, elas percebem. O inglês também facilita. Com a Shen [Menglu, chinesa], às vezes é um bocadinho mais difícil, mas conseguimos, com desenhos, seja de que forma for.”

(Foto: Sporting CP)

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