O futebol como exemplo?

Um estudo recente da BBC revelou que a grande maioria dos desportos a nível sénior atribui o mesmo prémio monetário a homens e mulheres pela conquista das suas competições, sendo que dos 48 desportos analisados, 37 garantem uma recompensa financeira e em apenas 3 não existe igualdade entre os valores pagos às duas vertentes. E não falamos aqui de igualdade salarial, mas sim de igualdade de prémios pela vitória em grandes competições ou eventos.

Curiosamente, o mesmo estudo conclui que o futebol (juntamente com o basquetebol e o golf) é a modalidade onde a disparidade entre homens e mulheres é maior.

No caso do futebol, no Campeonato do Mundo da FIFA de 2018 a seleção masculina francesa arrecadou um prémio de 38M $, enquanto no ano seguinte a seleção feminina norte-americana recebeu 4M $ pela conquista do Campeonato do Mundo da FIFA. No caso feminino, o prémio atribuído pela FIFA foi o dobro do da edição anterior e aquele organismo já informou que iria duplicar o valor para a próxima edição.

No que respeita à Liga dos Campeões, da UEFA, o prémio que cabe ao vencedor masculino da competição é de 19M €, sendo de 150.000 € na vertente feminina.

Os argumentos para justificar as diferenças de valor dos prémios a atribuir pelas conquistas das competições são já conhecidos de todas as partes: direitos televisivos, patrocínios, venda de bilhetes…

“Não será necessário apostar mais para que o retorno possa vir a ser maior? Numa altura em que se fala cada vez mais de igualdade de género, não quererão os patrocinadores associar-se a políticas igualitárias e não será esta uma forma de o fazer?”

Mas não entrará esta argumentação num ciclo vicioso? Não será necessário apostar mais para que o retorno possa vir a ser maior? Numa altura em que se fala cada vez mais de igualdade de género, não quererão os patrocinadores associar-se a políticas igualitárias e não será esta uma forma de o fazer? E a igualdade de prémios não fará com que raparigas e mulheres se sintam mais valorizadas e não ajudará a atrair mais jogadoras? Não contribuirá para dar um sinal para a nossa sociedade?

As mudanças que são necessárias fazer não se fazem de um dia para o outro. No entanto, talvez seja necessário todos nós refletirmos de que forma podemos ir fazendo a diferença para ajudar a mudar mentalidades e a contribuir para uma sociedade mais justa. Não será este um dos caminhos?

Sofia Oliva Teles

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