“Que o quinto lugar seja a classificação mais baixa para termos os olhos sempre postos na excelência”

Capitã da Seleção de futebol de praia, Lu faz o balanço do desempenho na Figueira da Foz e passa em revista a época

Ana Lúcia Correia teve o “orgulho enorme” de utilizar a braçadeira de capitã da recém-criada Seleção de futebol de praia, que obteve o quinto lugar na Superfinal da Liga Europeia, disputada na Figueira da Foz. Conhecida por Lu, falou com o Lado F e deu conta dos sentimentos num ano, em que também campeã nacional pelo Sótão. “Apesar de ser a nossa competição de estreia, sabíamos que poderíamos ter uma boa prestação. As nossas expetativas passavam por dar o máximo, aprender, estar comprometidas com o projeto e tentar concretizar aquilo que nos foi transmitido pelo míster Alan. Da parte da Federação, foi-nos transmitida total confiança e foi retirada qualquer pressão que pudesse existir. Tendo em conta isso, a nossa prestação terá estado ao nível das nossas expetativas, até porque o grupo é bastante ambicioso e quer alcançar outros patamares”, refere Lu, que não esquecerá o facto de ter sido a primeira capitã da equipa das Quinas.

“Mas, mais do que isso, é uma responsabilidade. A tarefa foi facilitada porque todas nós temos uma forte influência no grupo, cada uma à sua maneira. Somos todas capitãs, na medida em que o compromisso para com a equipa é máximo por parte de todas as atletas. Há um espírito de grupo e união muito fortes. E eu não poderia estar mais orgulhosa”, sublinha.

Os festejos de Lu com Érica (Foto Jose Manuel Alvarez/BSWW)

Terminada a partida com a Ucrânia, que valeu o quinto posto, Lu revela as palavras transmitidas. “Um pouco à imagem do que aconteceu nos restantes, procurei dizer a todas que, independentemente de ser o início, o compromisso para com o grupo tem de ser máximo e que, para nós, a história teria de começar a ser feita com a bitola alta. Queremos que este quinto lugar seja a classificação mais baixa da nossa seleção para termos os olhos sempre postos na excelência”, assume, com determinação.

“Procurei dizer a todas que, independentemente de ser o início, o compromisso para com o grupo tem de ser máximo e que, para nós, a história teria de começar a ser feita com a bitola alta”

Sobre Alan, que deixou marca na modalidade como jogador, Lu é perentória. “O míster Alan é conhecido de todos. Ele é um ícone do futebol de praia, um dos melhores jogadores de sempre da modalidade. Assim, tudo o que recebemos dele é sabedoria pura. Poucas pessoas conhecem o jogo como ele e nestes dias aprendemos muito, recebemos muita da sua paixão, do seu conhecimento, o que nos preparou muito melhor para a competição. Ele é, sem dúvida, uma mais valia neste projeto”, vinca.

Portugal venceu dois jogos na Figueira da Foz (Foto jose Manuel Alvarez/BSWW)

Com os olhos postos no futuro, a internacional portuguesa não desarma e refere que “o trabalho traz frutos”, motivo pelo qual a Seleção, que agora dá os primeiros passos, só poderá crescer. “Certamente não será diferente com o futebol de praia no feminino e, particularmente, com a Seleção. Neste momento, estamos numa fase embrionária. Ainda iremos ‘nascer’ enquanto jogadoras de futebol de praia. E aí sim, com as pessoas certas do nosso lado, com competição e muito trabalho, teremos certamente condições para almejar conquistas importantes”, analisa.

“Estamos numa fase embrionária. Ainda iremos ‘nascer’ enquanto jogadoras de futebol de praia”

Antes da aventura com a Seleção, 2021 assinalou a I edição do campeonato nacional, que culminou com o triunfo do Sótão, coroado na final com a AD Pastéis. Curiosamente, todas as jogadoras da Seleção pertenceram a ambas as equipas. “O título no primeiro campeonato nacional é também um marco. Na história da modalidade, na minha vida e das minhas colegas e atletas e do clube, claro! Foi uma conquista muito importante e muito feliz, com um grupo excecional numa ‘casa’ e numa terra que nos trata tão bem”, diz Lu, que também participou na Euro Winners Cup, pelas espanholas Roquetas.

Lu guiou o Sótão ao título nacional (Foto: FPF)

“Muitas de nós, estamos ligadas à modalidade há alguns anos mas, infelizmente, com participações intermitentes por força da falta de competição. Portanto, tivemos que trabalhar muito nos meses que antecederam a prova”, lembra a jogadora que também exerceu funções técnicas no Sótão. “O meu papel de treinadora foi facilitado, graças ao grupo com que trabalhei e à ajuda que recebi dos experientes treinadores que estão ligados à ACD Sótão. Ao longo destes anos tenho procurado aprender o máximo possível, a ver, a treinar e a competir. Tenho o bichinho do futebol de praia em mim e acho que não o vou largar tão cedo. Este foi, sem dúvida, para mim, em termos desportivos, um ano inesquecível”, assinala.

Treinos e jogos no areal à parte, Lu também foi treinadora de futsal, na Casa do Benfica de Leiria, onde orientou, por exemplo, Inês Cruz, outra internacional lusa. Fora de hipótese está a continuidade. “Depois de uma época de futsal tão dura, tão difícil, recebi do futebol de praia algumas das minhas maiores alegrias. Este ano decidi fazer uma pausa no futsal. Agradeço a confiança e convites às pessoas e clubes que me contactaram para constituir equipa técnica nos seus projetos mas, tal como lhes disse, sinto que este é o momento para respirar. Tenciono continuar a aprender, a formar-me e informar-me, mas a competição de futsal ficará em suspenso. O meu envolvimento em competição passará apenas pelo futebol de praia, é a isso que quero dedicar-me esta época”, conclui.

Foto principal: BSWW

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