“Sexto lugar foi meritório, mas o quinto teria sido um prémio mais do que justo”

A pandemia afetou todas as equipas, mas o Marítimo viu-se impedido de competir em casa durante uma fase da Liga BPI e o acerto de calendário foi feito em Portugal continental, situação que a equipa de Luís Gabriel contornou, terminando no sexto lugar. O treinador das insulares analisa a época e aborda as especificidades de trabalhar numa região autónoma, no caso a Madeira.

Que balanço faz desta época? O sexto lugar deixa-o satisfeito?

O balanço têm que ser considerado por todos como excelente. Partimos desde o início da época com o objetivo de lutar na primeira fase por um lugar nos 4 primeiros e garantir desde logo a manutenção e isso foi conseguido. O sexto lugar na classificação final foi muito meritório, mas ficou-nos a sensação, pelos números finais, dado que acabámos a um ponto do quinto classificado [Clube de Albergaria], com um saldo de dois golos negativos enquanto os nossos adversários diretos pelo quinto lugar, tiveram um goal average muito superior, e pelos jogos realizados, que o quinto lugar tinha sido um prémio mais do que justo pela qualidade que demonstrámos.

Numa época atípica, como geriu sentimentos no grupo? E aquele período em que estiveram concentrados na Cidade do Futebol, foi o mais difícil?

A maior dificuldade desta época deveu-se à pandemia, em que na primeira fase realizámos 4 jogos ao mesmo tempo que os outros clubes e depois estivemos desde 17 de Outubro até 6 Dezembro sem competir e a ver os nossos adversários a jogar e a subir na classificação. Foi muito duro aqueles 4 jogos seguidos no continente, em que acertámos o nosso calendário em 10 dias. É certo que trabalhamos em regime profissional, estivemos em condições top, mas tivemos que ‘correr atrás do tempo perdido’ longe de casa. Fomos uma verdadeira família e os resultados obtidos ajudaram e muito no crescimento da equipa ao longo do campeonato.

Estando na Madeira, o que difere de uma equipa do continente, deslocações à parte? Mesmo em termos de jogadoras e base de recrutamento?

No projeto do clube, o que difere de muitos dos clubes do continente, está na aposta que é feita na jogadora madeirense, na aposta da jogadora da sua formação. Sabemos que a base de recrutamento é diferente e ainda temos o problema das jogadoras que depois de fazer toda a formação no clube vão estudar para fora ou são aliciadas já por alguns clubes do continente.

O Marítimo teve 28 jogadoras madeirenses, além de três estrangeiras (Foto: Filipe Amorim / Lado F)

Quantas jogadoras madeirenses formaram o plantel? E as mais jovens, lançou muitas, como se faz a transição para as seniores?

O plantel desta época tinha 28 jogadoras madeirenses (já incluindo as juniores que se estrearam na Liga BPI), mais as 3 jogadoras de fora do país. O lançamento de muitas jogadoras juniores durante a época deveu-se à época tranquila que realizámos, com a conquista da manutenção cedo, mas também ao trabalho, qualidade e compromisso dessas jogadoras com a equipa. As jogadoras mais experientes foram muito importantes na integração destas miúdas em competição.

Qual o sentimento por ver Bárbara Santos e Telma Encarnação chamadas à Seleção para os jogos com Estados Unidos e Nigéria?

A chamada das nossas jogadoras às seleções nacionais é um motivo de muito orgulho para todos e há que lembrar que o clube acabou a época com quatro jogadoras a representarem as suas seleções: a Bárbara Santos e a Telma na seleção principal portuguesa, a Karina na seleção principal de Porto Rico e a Joana Silva na seleção sub-19 portuguesa. É o premiar individualmente pela excelente época da nossa equipa.

Em termos futuros, tem definida a permanência na equipa, ou ainda não é garantido? Gostaria de ficar?

Já existem conversações nesse sentido desde algum tempo e penso que nos próximos dias haverá novidades. Obviamente por tudo aquilo que fizemos e alcançámos em conjunto esta época, penso que é importante prosseguir com este projeto fantástico do Marítimo para o futebol feminino e continuarmos todos a melhorar e a crescer como equipa.

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