O destino por vezes tem destas coisas: no mesmo dia em que deixou de ser a mais recente finalista vencida da Taça de Portugal, a partir do momento em que o Sporting de Braga derrotou o Benfica, Mara Vieira e o Lusitânia de Lourosa que representa – que atualmente se encontra no 4º lugar da Série C da III Divisão com duas jornadas em atraso podendo, em caso de vitórias nessas partidas, recuperar a liderança partilhada com a Escola de Futebol Hernãni Gonçalves, que para já detém o primeiro posto de forma isolada – terá, ao que tudo indica, pela frente o Sporting.

Um adversário de monta foi o sorteado para o clube da região de Aveiro que estará qualificado para a 3ª eliminatória da Taça de Portugal depois de ter sido atribuída falta de comparência às Meirinhas, que não se apresentaram para a eliminatória anterior, marcada para Lourosa. Dada a existência de tempo para as Meirinhas recorrerem, o sorteio foi ainda condicionado, mas deverá ser mesmo no seu palco que o Lusitânia receberá as leoas, uma possibilidade sobre a qual Mara Vieira e suas comandadas já se encontravam cientes dado que pela primeira vez na presente temporada este sorteio da Taça já contava com a presença de equipas da Liga BPI.

As probabilidades ditaram um ‘grande’ ao Lusitânia e logo numa competição que muito representa para a treinadora – Mara considera que poder competir perante equipas desse nível é o objetivo, isto até porque a meta passa mesmo por chegar ao primeiro escalão tão cedo quanto possa ser possível para este conjunto: “a ambição que se pretende para o Lusitânia na Taça é irmos passando cada eliminatória, é a eliminatória a que conseguirmos chegar…Quando fui finalista da Taça, estava com uma equipa da Liga BPI. Uma equipa da Liga BPI é muito diferente, obviamente que na altura foi algo que ninguém já estava a contar muito pois já tínhamos os ‘grandes’ na Liga…

Mara Vieira considera que a diferença entre a Liga BPI e a III Divisão é “muito grande”

Mas a distância entre as equipas da primeira liga e o campeonato nacional da III Divisão é enorme, dificilmente alguma equipa da III Divisão poderá estar na final da Taça ou pelo menos estar a disputá-la com as equipas da I Liga um lugar numa eliminatória,” reconheceu de pronto até por ter trabalhado em ambos os contextos, o que leva a técnica admite ser “muito difícil porque a diferença no nível das jogadoras, em termos competitivos durante toda a época, é muito grande,” comparou, fazendo recurso ao seu conhecimento sobre as realidades. Mara Vieira não tem dúvidas de que a diferença “é ainda maior entre a qualidade de uma equipa da primeira Liga e outra da III Divisão.”

“Nem é comparável com a diferença entre a I Liga masculina e a sua terceira divisão, o Campeonato de Portugal, por exemplo. Portanto, a diferença é muito maior e o que esperamos é fazer cada eliminatória, é um prémio para as jogadoras, elas já sabem que é sempre um jogo, o que é ótimo. Se formos passando agora a 3ª eliminatória, depois nos seguintes se encontrássemos uma equipa da primeira liga seria um prémio muito grande, mas o que esperamos é ir competindo, ter mais um jogo e crescer como equipa para aquilo que é o nosso campeonato,”
identifica a treinadora.

Será neste piso sintético que, ao que tudo indica, o Lusitânia de Lourosa vai receber o favorito Sporting pela 3ª eliminatória da Taça de Portugal

Apesar de todos os ajustes para conciliar vida pessoal e profissional, a técnica está a gosto

Mara Vieira notabilizou-se não apenas pela qualidade de jogo e resultados da equipa do Valadares mas também por se encontrar grávida nessa temporada, chegando mesmo às fases decisivas da Taça – quartos-de-final e meia-final – já perto do final do tempo de gestação e representou um exemplo para a normalidade na gravidez no futebol feminino, não tendo prejudicado o excelente trabalho que realizou: “no momento da final da Taça até já tinha tido o bebé 10 dias antes e portanto foi ainda mais difícil conciliar estar nessa final com um bebé que tinha ainda tão pequenino, o meu filho.”

“Mas foi uma experiência fantástica, um pouco louca até porque quando somos treinadoras de facto é uma vida diferente.
” Uma vida que, de resto, adora: “pretendo continuar a trabalhar e contribuir para a modalidade, é isto que penso e é por isso que não há nenhuma troca, é simplesmente estar noutro projeto,” identifica quando instada a justificar a mudança de um clube para o outro.

“Depois, a realidade no futebol feminino é a de que não se pode trabalhar como profissional a tempo inteiro na maior parte dos clubes, torna-se difícil, para mim pelo menos para já tem sido assim, estar a fazer grandes escolhas ou afastar-me da minha zona de residência, não me posso afastar muito porque tenho de trabalhar noutra área e tenho de estar relativamente perto dos clubes,” explicou, feliz com as condições de que dispõe em Lourosa.

Deixe um comentário!