Suzane Pires garante: “Podem estar certas, dá para ser mãe e voltar a jogar ao mais alto nível”

Suzane Pires está de volta à Seleção Nacional. Fez o último jogo pela equipa das Quinas a 27 de julho de 2017, contra a a Inglaterra, no primeiro Europeu que Portugal disputou no feminino e regressa agora no arranque de uma caminhada para um Mundial.

“É um sonho que eu tenho também, na minha carreira. Neste regresso, espero ajudar muito a nossa Seleção a poder chegar ao Mundial”, assegura a jogadora nascida há 29 anos em São Paulo, no Brasil, mas com 23 internacionalizações por Portugal, antes de se pronunciar sobre os dois jogos fora com Turquia e Israel: “Creio que, com o COVID, a logística às vezes fica um pouco difícil, mas em relação a essas duas equipas, nesta fase já não há jogos fáceis, por isso temos de dar o nosso melhor para sairmos com um resultado positivo.”

Desafiada a fazer um comparativo entre o futebol feminino no Brasil e em Portugal, a jogadora que esteve vinculada ao Marítimo estabeleceu: “Em primeiro lugar, jogar no Brasil tem sido um pouco diferente pra mim. Por incrível que pareça, o futebol lá está muito direto, aqui é mais toque curto, mais rápido, mais intensidade. Estou muito feliz, porque o futebol feminino tem evoluído muito, tanto no Brasil, como aqui, não só a nível das jogadoras, como os próprios clubes, que estão a investir mais.”

A evolução no futebol feminino português no hiato que a separou do futebol português foi algo que surpreendeu Suzane Pires: “Há meninas que quando estava aqui, estavam nas sub-19, hoje estão na Seleção A e estão muito bem, bem demais, e fico muito feliz com isso, de ver essa evolução muito, muito grande.”

“Quando soube que estava grávida, foi um choque (risos), porque a minha vida mudou completamente, não é um trabalho que possa manter até ao sétimo, oitavo mês de gravidez”

Nos quatro anos em que esteve afastada da Seleção, porém, a vida de Suzane mudou radicalmente. Hoje, é mãe de Gauther, que tem o nome do pai, ex-guarda-redes do Nacional da Madeira. A maternidade não impediu a internacional portuguesa de prosseguir a sua carreira e a própria explica porquê: “Para mim, foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Na altura em que soube que estava grávida, foi um choque (risos), porque a minha vida mudou completamente, não é um trabalho que se possa manter até ao sétimo, oitavo mês da gravidez. Depois, apercebi-me que foi a melhor coisa que me tinha acontecido e não sabia se ia voltar a jogar. Fui percebendo que era possível, quando ele tinha dois anos e era mais independente, vi que ele ficava bem bem com a minha sogra, a minha mãe ou com o meu marido e eu decidi que era o momento de voltar.”

Quanto ao seu caso poder ser apontado como um exemplo da compatibilidade entre a maternidade e a alta competição, Suzane não hesitou: “Claro, muitas meninas pensam ‘não quero engravidar, depois não consigo voltar’. Sinto o meu corpo, senão melhor, o mesmo, com a energia que eu sinto que tenho, mas também a motivação, com certeza dá.” “Toda a gente pode estar consciente que dá para ser mãe e voltar a jogar ao alto nível”, garantiu.

Face ao rendimento antes e pós-parto, Suzane Pires assume alguma quebra, inicialmente, mas desdramatiza na atualidade: “Diferenças? Agora não. Nos dois primeiros meses, fiz muito trabalho físico, quase não toquei na bola. Houve alturas em que me senti muito mal, mas depois passou essa fase. Passei a ter contacto com a bola e a intensidade do jogo, fisicamente, sinto-me como ante e, a nível emocional, acho que melhor. Tenho uma motivação a mais para dar o meu melhor e para fazer valer a pena tudo o que eu fizer.”

A internacional portuguesa assume, em definitivo, o papel de mãe, quando confrontada com as saudades deixadas por Gautinho quando tem de se ausentar (como agora): “Muito, muito. Essa foi a minha maior preocupação, quando voltei a jogar. Quando havia jogos fora e eu tinha que dormir no hotel… Eu sabia que ele ia ficar bem, mas a minha preocupação era saber se eu ia aguentar. Com a ajuda das minhas colegas de equipa, deu para conseguir. E aqui também, as meninas têm sido muito boas comigo e acaba por ser mais fácil, assim.

(Fotos: Tiago Tavares / Lado F)

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