Tita revela propostas e deixa lamento: “Jogadoras sentem que foram enganadas”

Candidata a vice-presidente do Sindicato dos Jogadores, Tita deixa no ar questões com que a lista "De jogadores para jogadores" se tem deparado

Candidata a vice-presidente do Sindicato dos Jogadores, cujo ato eleitoral decorrerá até ao final do mês, Tita está na lista encabeçada por Ibraim Cassamá – De jogadores para jogadores – e o Lado F foi perceber o que defendem para o futebol feminino em Portugal. “Queremos ouvir a voz das atletas, as suas preocupações/necessidades, defender os seus direitos para que consequentemente haja uma evolução da modalidade. Queremos garantir uma base salarial semelhante à liga espanhola (Iberdrola), permitindo deste modo mais condições para a prática da modalidade por parte das atletas, aproximando da profissionalização, levando a um crescimento sustentável”, refere Tita, capitã do Clube Condeixa.

A internacional portuguesa sublinha que uma das metas é “garantir apoio jurídico e fiscal às jogadoras, assim como criar um apoio direccionado à vítima de abusos sexuais / peculato /abuso de poder / intimidação”. “Criar um grupo de trabalho para análise da legislação atual e formulação de propostas que melhorem as condições das jogadoras”, aponta, com exemplos que passam pela
elaboração de um acordo com entidades de saúde para acompanhamento complementar das jogadoras, apoio nas diversas áreas como fisioterapia, nutrição, ou coaching desportivo, além da criação de um gabinete clínico para apoio às jogadoras.

Garantir que as medidas internacionais impostas pela FIFA são cumpridas em Portugal, como por exemplo o direito das jogadoras em período de gravidez, é outro dos ideais apresentados.

A lista defende a integração das restantes modalidades tuteladas pela Federação Portuguesa de Futebol – Futsal e Futebol de Praia – no Sindicato. “Defendemos que estas atletas tem o mesmo direitos, não esquecendo os seus deveres, e por isso serem também apoiados pelo sindicato”, diz Tita. Questionada sobre o pós-carreira para as jogadoras, a candidata advoga uma estratégia multidisciplinar que permita aplicar medidas preventivas no que respeita à vida após o futebol: saúde mental, literacia financeira, media training e outras formações relevantes. “Criar iniciativas que poderão decorrer em formato de workshops, palestras, ou cursos ministrados com o apoio de entidades formadoras e escolas superiores durante a carreira dos jogadores, implementar um programa de pós-carreira individual e orientado para cada jogador e respetivo contexto, criar uma bolsa de emprego para ex-jogadores e jogadores amadores que mantenham uma atividade profissional paralelamente com o futebol (apoio à carreira dual)”, afirma.


Tita deixa ainda uma reflexão sobre o trabalho do Sindicato, presidido por Joaquim Evangelista, que volta a candidatar-se e que já foi contactado pelo Lado F, no sentido de partilhar a sua visão para o futebol feminino.

“É absurdo e chega a ser até ofensivo o que o Sindicato fez estes últimos anos. As jogadoras sentem que foram enganadas, pois têm vindo a pagar quotas a pensar que faziam parte do Sindicato e afinal foi-lhes dito que pertencem a uma associação que faz parte do Sindicato (APJA). São consideradas amadoras e por isso não podem votar. E quem fala do futebol feminino fala também de centenas de jogadores do campeonato de Portugal que sempre pagaram quotas e agora não podem votar para o seu próprio Sindicato. À parte disso temos conhecimento que existem jogadores e jogadoras que se querem inscrever como sócios, pois têm contrato profissional de futebol, e, ou não tem resposta ou a resposta que lhes é dada é que têm que aguardar por uma reunião de decisão por parte da direção atual do Sindicato”, sublinha. “Também apurámos que há jogadoras profissionais já há pelo menos quatro anos e foram-lhes cobradas quotas de amador”.

Ibraim Cassamá é candidato a presidente e Tita a vice-presidente do Sindicato. Foto: Anabela Brito Mendes

Além de Tita, a lista apresenta várias jogadoras aos órgãos sociais, casos de Ana Borges (vogal da Direção), Joana Marchão, Diana Silva e Fátima Pinto (suplentes), Sílvia Rebelo e Solange Carvalhas (Conselho Fiscal) e Dolores Silva (secretária da Mesa da AG).

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