Um quase campeão e a loucura na fase de manutenção

Fim da primeira volta desta segunda fase da Liga BPI e se a fase de campeão não nos surpreendeu e colocou o Benfica numa posição muito favorável para a revalidação do campeonato, a fase de manutenção mostrou que não há decisões antecipadas e que qualquer equipa pode garantir a manutenção direta.

A fase de campeão jogou-se no sábado e com um dérbi minhoto para abrir o apetite num fim-de-semana de grandes jogos.

Começamos pela análise à fase de apuramento de campeão.

Famalicão 0 – 1 Braga

Quatro mudanças de peso no lado do Braga, deixando de fora Andreia Norton e Dolores que são o pêndulo do meio-campo bracarense e Carolina Mendes que tem sido a jogadora mais influente em termos ofensivos, além da troca direta de Inês Maia para o regresso de Machaela ao onze inicial. Do lado do Famalicão, troca direta de Mariana Campino por Babi e de Maria Miller por Lais Araújo. O Famalicão entrou a mandar no jogo, com mais controlo de bola, utilização dos três corredores e procurando a velocidade das três jogadoras mais avançadas através de movimentos diagonais entre as centrais e as centrais-laterais. O Braga não teve capacidade de guardar a bola e sentiu-se a ausência de Dolores e de Norton no meio-campo, tendo a equipa algumas dificuldades em manter a bola depois de a recuperar e dificuldades em fazer a ligação entre a defesa e o ataque. As oportunidades para ambas as equipas foram aparecendo durante a primeira parte, resultado dos espaços concebidos entre linhas e também pelas transições ofensivas bem executadas. Um penálti falhado por Vitória Almeida aos trinta minutos (destaque para a dupla intervenção de Rute Costa neste lance) deu uma oportunidade flagrante ao Braga para aumentar o marcador, golo que surge dois minutos depois através de Ana Rute. Na segunda parte, o Famalicão voltou a entrar forte e com o mesmo padrão, tendo mais bola mas não justificando com finalização enquadrada. Após a expulsão de Myra Delgadillo, João Marques procurou o equilíbrio nas substituições, colocando Norton, Dolores e Carolina Mendes, jogadoras com mais qualidade técnica para manter a bola e mais inteligentes e experientes em termos defensivos. O resultado não se alterou e Famalicão perde três pontos na corrida do título e vê o Benfica a fugir.

Foto: SC Braga

Lank Vilaverdense 0 – 4 Benfica

Depois de conquistar os primeiros três pontos na Liga BPI, o Lank Vilaverdense recebeu o líder isolado do campeonato, o Benfica. Na primeira parte, a equipa de Vila Verde surpreendeu ao apresentar uma pressão alta sobre o Benfica, que evidenciou a qualidade das visitantes com bola e a exploração dos espaços entre linhas. O bloco mais alto da equipa minhota levou a uma procura dos espaços nas costas de defesa da equipa da casa. Contudo, a boa exibição defensiva do Lank foi-se mantendo levando o Benfica a só conseguir fazer dois golos através de bolas paradas.

O intervalo fez bem ao Benfica que entrou muito mais forte na pressão e na reação à perda, provocando dificuldades e retirando ao Lank todas as possibilidades de eventualmente mudar o resultado do jogo. A qualidade do Benfica foi prevalecendo ao longo da segunda parte e levou ao aumento do marcador. Após o resultado aumentado, Filipa Patão geriu a equipa já a pensar no jogo de quarta-feira frente ao Famalicão para a Taça da Liga.

Sporting 1 – 0 Torreense

Mudança de treinador na equipa de Torres Vedras e um teste difícil para a estreia de Daniel Marques como treinador principal na Liga BPI. Uma entrada atribulada para ambas as equipas, muitos passes falhados e alguma precipitação no momento das decisões. O Sporting foi tomando conta do jogo, assumindo-o e levando o Torreense a defender no seu meio-campo. Apesar das boas variações de jogo, atraindo o Torreense para o meio e procurando o espaço criado, principalmente no corredor esquerdo, para Chandra Davidson desequilibrar. A segunda parte começou com uma oportunidade de golo flagrante para o Sporting mas as estratégias do jogo mantiveram-se idênticas à primeira parte, as sportinguistas a controlarem o jogo com bola e o Torreense a tentar controlar o jogo sem bola e explorando o contra-ataque. A equipa da casa acabou por fazer ditar algo que já se previa e inaugurou o marcador. Por consequência, o Torreense foi decaindo e o Sporting foi crescendo podendo ter aumentado o marcador nas várias oportunidades que teve.

Ana Borges decidiu Foto: SCP

Marítimo 2 – 1 Albergaria

Com as duas equipas fora de contas para o título, prevaleceu a vontade de ganhar em mais uma exibição com golos de gala em terras madeirenses. Defrontaram-se duas equipas que, por norma, apresentam padrões de jogo muito idênticos, cedendo a posse de bola ao adversário estrategicamente e que após a recuperação de bola procuram as três jogadoras da frente através da profundidade.

Por ideias de jogo tão idênticas dos treinadores, o jogo foi tendo muitos erros individuais na manutenção pela posse de bola e muita precipitação na saída para as transições ofensivas com os adversários organizados.

As aveirenses até inauguraram o marcador logo ao abrir o jogo, algo que podia ter ajudado para controlarem melhor o jogo em terras adversárias mas não foi bem conseguido. Aos 47 minutos Telma Encarnação faz um golo do meio da rua, tal como já nos tem habituado e leva o empate para o intervalo.

Na segunda parte, o Albergaria entrou melhor tentando chegar à baliza adversária com mais controlo da posse de bola mas não conseguiu converter essa intenção em finalização enquadrada. Mais eficaz foi o Marítimo que após um canto viu a melhor marcadora do campeonato, Telma Encarnação, fazer mais um grande golo. O resultado permaneceu inalterado até ao fim do jogo e os três pontos ficam na Madeira.

Análise à fase de manutenção

Gil Vicente 2 – 2 Estoril

Um jogo que se previa equilibrado, até pela proximidade das equipas na tabela classificativa. No entanto, o jogo teve um domínio avassalador da equipa da casa com maior controlo da posse de bola e com uma entrada muito boa no jogo, que resultou num golo aos seis minutos. Após o golo, as gilistas mantiveram o Estoril no seu meio-campo defensivo e até podiam ter aumentado o marcador.

Na segunda parte, alguns erros na construção da equipa da casa já tinham revelado que se avizinhava um golo das canarinhas e foi exatamente isso que aconteceu. Esta igualdade no resultado não durou muito tempo e o Gil conseguiu voltar à vantagem. As substituições das gilistas retiraram o equilíbrio do meio-campo e a consistência defensiva, as substituições do Estoril trouxeram agressividade no meio-campo ofensivo e insistência na procura pela profundidade. Este reverso nas substituições levou ao empate nos últimos minutos do jogo.

Condeixa 1 – 0 Amora

O Amora procurava terminar a primeira volta desta fase de campeão só com vitórias e o Condeixa ia à procura de surpreender e de se aproximar dos lugares cimeiros.

Uma entrada forte da equipa visitante, assumindo o jogo e podendo até inaugurar o marcador cedo. A equipa da casa optou por procurar segurar o jogo defensivamente e esperar que as transições ofensivas pudessem fazer a diferença.

O resultado manteve-se sem mudanças até à segunda parte e quando o Amora achava que o golo podia surgir no entretanto, o Condeixa começava a acreditar que podia chegar ao golo. A equipa da casa foi ganhando confiança e sendo cada vez mais agressiva no meio-campo ofensivo, começando a ganhar algumas bolas e podendo fazer a transição mais perto da baliza adversária. O golo da equipa da casa surge na sequência de duas bolas paradas consecutivas e o plano estratégico do Condeixa começava a ser bem sucedido.

Apesar de o Amora ter insistido e tentado chegar ao golo, com o passar do tempo foi perdendo discernimento na tomada de decisão e equilíbrio no seu jogo. O Condeixa aguentou até ao apito final e fica com os três pontos.

Valadares 1 – 0 Ouriense

Jogo importante para o Valadares poder alcançar o segundo lugar da tabela classificativa e, eventualmente, ter essa vantagem para a segunda volta do campeonato tendo em conta as deslocações difíceis que irão ter. O Ouriense sabia que conquistar pontos no Norte era um passo importante para manter a posição na luta pela manutenção.

Partida que começou equilibrada com muitos espaços entre linhas cedidos por ambas as equipas, o Ouriense foi sabendo aproveitar de forma mais inteligente esses espaços, conseguindo interligar os setores e chegando à baliza adversária provocando vários desequilíbrios. O Valadares de uma forma mais direta com a procura da profundidade foi causando alguns problemas ao visitante, conseguindo chegar ao golo e guardando as redes da sua baliza até ao final do jogo. Apesar de nos últimos minutos da segunda parte se ter sentido um maior caudal ofensivo da equipa de Ourém, o resultado manteve-se e os três pontos ficam no norte.

Foto: Valadares Gaia facebook

Varzim 1 – 2 Atlético

Atlético procurava a primeira vitória no campeonato de forma a poder aproximar-se do Varzim e para fugir ao último lugar que consequentemente leva à descida direta de divisão.

Um jogo que teve a direção do vento em ambas as partes. Uma primeira parte mais forte do Varzim apesar da existência de muita displicência das duas equipas no momento da construção. As meninas da Póvoa chegam ao primeiro golo através de um canto direto que é muito influenciado pelo forte vento sentido no campo.

Na segunda parte, o vento estava a favor do Atlético e apesar de o Varzim ainda ter tentando aumentar a sua vantagem, a equipa do Sul encontrou o caminho para o golo nas costas da defesa poveira. Já se imaginava que o Varzim não se fosse abaixo e tentou de imediato reverter o resultado com mais coesão ofensiva, mais cruzamentos mas com pouca finalização. Consequente, o Atlético ia tentando explorar através dos espaços cedidos pela equipa da casa e através das bolas paradas, foi exatamente assim que chegou ao golo também com a ajuda do vento.

Os primeiros três pontos do Atlético que procura sair da zona de despromoção.

Foto: SL Benfica

Joana Oliveira
Treinadora

Deixe um comentário!

Últimas NOTÍCIAS

Lyon volta a conquistar a Liga dos Campeões

Tal como há três anos, o Lyon venceu o Barcelona (3-1), que ambicionava a revalidação do título europeu. Em Turim, no estádio da Juventus,...

Damaiense vence Fofó e é o novo líder

No jogo grande da jornada da II divisão, o Damaiense venceu o Futebol Benfica por 2-1 e assumiu a liderança da fase de campeão,...

A festa foi toda do Benfica: bicampeonato e recorde!

Foi perante 14 221 espectadores no Estádio da Luz, novo recorde de assistência no futebol feminino nacional, que o Benfica venceu o Sporting por...

Nuno Cristóvão deixa Racing Power

A três jornadas do final da fase de apuramento de campeão da II divisão, Nuno Cristóvão deixou o comando técnico do Racing Power, que...

Fofó não vacila na frente e Damaiense sobe a segundo

A três jornadas do final da fase de campeão da II divisão, a luta pela subida direta, garantida pelo primeiro lugar, está ao rubro....

Sem cedências na frente

Foram sete. Os golos com que o Sporting recebeu o Lank Vilaverdense e aqueles a que se assistiram na visita do Benfica ao Marítimo....