Liverpool, 26 de Dezembro de 1920. Naquele dia, no tão famoso Boxing Day, 53.000 pessoas juntaram-se para assistir a uma partida de futebol e diz-se que outros milhares ficaram fora do campo. Era um jogo de caridade, para angariar fundos para os soldados feridos na I Guerra Mundial. E era também um jogo entre equipas femininas. De um lado estavam as Dick, Kerr Ladies, do outro St. Helens Ladies.

Pouco tempo depois deste jogo a federação inglesa considerou que o futebol feminino era inapropriado para as mulheres e não devia ser encorajado, proibindo-as de jogarem futebol.

Em 2020, celebraram-se 100 anos desde esse dia que, durante décadas, se manteve como recordista de assistência de um jogo entre clubes de futebol feminino – e só ultrapassado em 2019, num jogo entre Atlético de Madrid e Barcelona que contou com 60.739 pessoas.

Não deixa de ser curioso que, 100 anos depois e numa altura em que o futebol feminino se encontrava numa fase de maior desenvolvimento graças ao investimento de federações e clubes e do impacto do Campeonato do Mundo de 2019, estejamos novamente a viver um período de grande incerteza para a modalidade fruto dos reflexos que a pandemia de COVID-19 está a impor um pouco por todo o Mundo.

Estes têm sido tempos desafiantes para o futebol feminino. E, num ano tão atípico como este, tem sido mais uma vez a resiliência de jogadoras, treinadores, dirigentes e clubes que continuam a permitir que a modalidade cresça e vá conquistando o seu espaço.

Fazemos votos de que todos, juntos, possamos continuar a desenvolver e a promover o futebol feminino, dando oportunidades a mais raparigas e mulheres de praticarem e de se envolverem no futebol. Inspiremo-nos nas muitas mulheres e homens que há 100 anos foram persistindo e continuando a jogar, apesar de todas as restrições que lhes eram impostas.

Que este ano seja excelente para todos!

Sofia Oliva Teles

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