Valorizar o futebol feminino

Aproximam-se os quartos de final da Liga dos Campeões feminina com grandes jogos em perspetiva. O novo formato estabelecido pela UEFA, e em estreia esta época, tem sido um sucesso no aumento da visibilidade da competição, nomeadamente com a transmissão dos jogos para praticamente todo o Mundo através da plataforma DAZN e do Youtube. Mas para esse sucesso também muito contribuem os clubes.

Estes quartos de final serão inéditos, com apenas um clube (o Real Madrid) a não utilizar o seu estádio principal para receber estes jogos. Se, por um lado, o Lyon já utiliza regularmente, e há vários anos, o Estádio Groupama para jogos da sua equipa feminina (quer na Liga dos Campeões, quer noutras competições), a verdade é que a grande maioria das outras equipas continua a jogar em estádios secundários e com menor capacidade, algo que irá mudar nesta eliminatória da Liga dos Campeões.

Desde que o Barcelona anunciou que jogaria no Camp Nou contra o Real Madrid os bilhetes esgotaram em apenas alguns dias, quando ainda faltavam mais de dois meses para o jogo. Antecipa-se, assim, que haja um novo recorde de assistência numa partida de futebol feminino.

Seguiram-se o PSG e o Bayern Munique, que irão encontrar-se no Parque dos Príncipes e na Allianz Arena, bem como o Wolfsburg e o Arsenal e ainda a Juventus que receberá o Lyon.

A UEFA e os clubes que participam na Liga dos Campeões perceberam, há muito, quão importante é valorizar o produto do futebol feminino. Parte dessa valorização passa por dar grandes palcos a grandes jogos. É isso que irá acontecer nestes quartos de final.

E valorizar o produto inclui, também, dar um preço aos bilhetes ou promover os jogos nas plataformas do clube, dar-lhes visibilidade e espaço. No fundo, dar-lhes a dignidade que merecem.

Bem sabemos que o produto que vende é aquele que tem qualidade. E para isso não basta jogar em bons estádios. É necessário mais. E é isso que o futebol feminino (e, no fundo, todo o desporto feminino) pede: boas condições para treinar, boas condições para recuperar, boas condições para serem as melhores atletas e demonstrarem todo o seu verdadeiro potencial.

Estes exemplos nos quartos de final da Liga dos Campeões mostram-nos que é possível fazer mais pelo futebol feminino. E o futebol feminino (e o desporto feminino) está a crescer. Quem não perceber isto irá, inevitavelmente, ficar para trás.

Sofia Oliva Teles

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