Visibilidade: uma parte do caminho

Visibilidade. Esta é uma das palavras de ordem no futebol feminino.

Como em qualquer outro negócio ou modalidade, para se crescer é necessário ter visibilidade. Dar a conhecer, chegar ao público, captar a atenção. Só assim será possível ambicionar mais.

Felizmente, nos últimos tempos, têm surgido diversos exemplos que nos fazem compreender melhor a importância da visibilidade.

Depois da profissionalização da sua liga, a Federação Inglesa de Futebol (FA) anunciou há uns meses a celebração de um contrato recorde de venda de direitos televisivos da WSL (a principal liga de futebol feminino) à Sky Sports e à BBC.

Além de aumentar a exposição televisiva dos seus jogos, este negócio (que se estima que ronde os 8M £/época e que seja o maior de sempre no futebol feminino) significa um aumento do investimento na modalidade, com parte da receita a ser distribuída pelos clubes da WSL e do Championship (a segunda liga feminina) na proporção de 75% e 25%, respetivamente.

Também a UEFA, que centralizou os direitos televisivos da Liga dos Campeões feminina pela primeira vez esta época, chegou a acordo com a plataforma DAZN para a transmissão de todos os jogos da principal competição europeia a partir da fase de grupos. Durante as duas próximas temporadas será possível praticamente todo o Mundo ver a Liga dos Campeões livremente no YouTube.

Para além destes casos, outros países (como a Alemanha ou o Japão) têm aproveitado o desenvolvimento do futebol feminino para vender as transmissões dos seus jogos e aumentar a exposição da modalidade.

Mas se o futebol feminino precisa de visibilidade, a verdade é que esse objetivo não pode ser conseguido a qualquer custo. É necessário muito mais do que apenas transmitir jogos. É fundamental, por exemplo, que haja qualidade nas transmissões, que os jogos sejam feitos em bons estádios, com boas condições para as equipas, com bons relvados, que as equipas pratiquem bons jogos e dêem um excelente espectáculo. No final do dia, é isso que quem assiste procura ver: grandes jogos, resultados imprevisíveis, com excelentes intervenientes.

Só assim podemos ambicionar que mais raparigas (e rapazes) vejam jogos de futebol feminino e adiram à modalidade, que mais marcas queiram apostar, que mais jogadoras, treinadoras, árbitras (entre tantos outros) inspirem as novas gerações.

Tudo isto depende, também, de termos mais gente a ver o nosso jogo. Saibamos estar à altura.

Sofia Oliva Teles

1 COMENTÁRIO

  1. Não podemos esquecer que as jogadoras também tem que ser bem pagas, os dinheiros não pode ser só para o futebol masculino. E muito importante os vices presidentes ou os directores dos clubes não podem prejudicar as atletas, como eu sei de alguns casos e casos graves. O atleta depois de terminar o seu contrato com o clube tem que ser livre de poder jogar onde é pretendida.

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