“Vitória na Taça dá-nos confiança e o objetivo é ganhar o campeonato”

Ao Lado F, Laura Ferreira aborda a conquista histórica das águias

A equipa de basquetebol feminino do Benfica fez história há uma semana. Pela primeira vez conquistou a Taça de Portugal e Laura Ferreira, internacional portuguesa, que passou pelos Estados Unidos e Espanha e que voltou esta temporada a Portugal, dá conta do estado de espírito e ambição encarnada.

Que impacto teve a vitória na Taça de Portugal no seio do grupo?

É sem dúvida muito importante porque é a primeira Taça de Portugal conquistada pelo Benfica. Veio reforçar a aposta do Benfica nas modalidades femininas, cujo projeto está a ser muito bom para o clube e atletas. Lembro-me que antes de ir para o estrangeiro, nos Estados e Unidos e Espanha, não se ouvia falar de basquetebol feminino no Benfica. Estava na II divisão, entretanto subiu e agora estamos a disputar os primeiros lugares da Liga.

Também é a primeira vez que o clube tem todas as modalidades femininas de pavilhão no primeiro escalão…

Exatamente e isso tem que ver com o que o Benfica proporciona às atletas, a nível de ginásio, psicológico, ou médico. É muito importante e infelizmente não há em muitos clubes em Portugal e no estrangeiro. As atletas sentem-se bem no Benfica e assim vão ter uma performance melhor. Tivemos muito mérito em ganhar a Taça e dos treinadores, no caso, o Eugénio Rodrigues. Por todo o trabalho feito desde setembro. Treinamos 10 vezes por semana e estamos sempre no ginásio, na musculação. Talvez as jogadoras não se considerem profissionais, porque a maioria trabalha ou estuda, mas claramente fazemos tudo o que é profissional. Muitas vezes os clubes não têm noção do trabalho que é uma mais-valia fora de campo.

O que vos transmite a conquista da Taça no que resta da época?

Dá-nos confiança no que fazemos e relembra-nos que há que continuar, porque estamos a ter sucesso e o objetivo é ganhar o campeonato nacional.

Considera que é uma luta a quatro?

Penso que cinco. Além das que estiveram na final-four da Taça [Benfica, União Sportiva, V. Guimarães e GDESSA], a Quinta dos Lombos. Cinco equipas a dar tudo para chegar ao topo.

Laura jogou nos Estados Unidos e em Espanha. Foto: Filipe Amorim / Lado F

Alguma equipa com maior favoritismo?

As duas equipas mais completas são o Benfica e Sportiva. Por isso, digo que o jogo de sábado, na meia-final da Taça com o Sportiva, foi claramente a final. Vão dar muita luta.

Este domingo, reencontram-se para o campeonato com a liderança em jogo. Acha que haverá desejo de desforra?

Sem dúvida. Será um jogo muito intenso como o de sábado em que fomos a prolongamento. Começámos com um primeiro parcial de 15 pontos de vantagem ao intervalo, mas elas conseguiram dar a volta e estivemos a perder por 10. É sinal que ambas as equipas têm um nível muito elevado, mas o Benfica dará o máximo. São os jogos que mais gostamos, os mais divertidos. É um jogo decisivo em relação ao factor casa nos play-offs.

Jogou nos Estados Unidos e em Espanha. Que aprendizagem retirou?

Foi a componente que está fora do treino de basket em si e é fundamental para se chegar ao potencial máximo. Nos Estados Unidos, foca-se muito na parte da musculação, fisioterapia, um pouco como o Benfica. Jogar nos Estados Unidos reforçou-me bastante no trabalho a fazer à margem do basket, na área da prevenção de lesões, na incorporação de um psicólogo. As pessoas acham que é para quem tem problemas mentais, mas não. Ajuda bastante, é um amigo e não tenho pudor em dizer que recorria a psicólogo. Estava numa cultura diferente, vida diferente e para atingir esse bem estar físico e mental, a ajuda de um psicológico é importante. Nos Estados Unidos, a universidade vive do desporto, pelo menos a minha vivia, e esse trabalho à parte é muito importante. Devia ser um grande foco em Portugal e quando os clubes se aperceberem disso, a liga será bem mais competitiva.

“Jogar nos Estados Unidos reforçou-me bastante no trabalho a fazer à margem do basket, na área da prevenção de lesões, na incorporação de um psicólogo. As pessoas acham que é para quem tem problemas mentais, mas não. Ajuda bastante, é um amigo e não tenho pudor em dizer que recorria a psicológico”

Será isso que falta em Portugal para haver um salto qualitativo no basket feminino?

É o que respondi anteriormente. Se for por etapas, começar a incorporar estas componentes de apoio à atleta. Pode não ser profissional, mas para a atleta se sentir bem.

Volta a Portugal e reencontra como treinador Eugénio Rodrigues. Como tem sido a relação?

Tinha trabalhado na Seleção com ele e evoluímos bastante. Fomos para a divisão A. É um treinador muito bom, dá feedbacks importantes e estou muito contente por estar no Benfica.

Laura praticou natação de competição durante 11 anos. Foto: Filipe Amorim / Lado F

Praticou natação. Ainda nada?

Fiz natação durante 11 anos, em termos de competição. Quando algo não corre bem, preciso de ir para dentro de uma piscina, ver se ninguém me chateia. Mergulhar e sentir-me Zen.

Está a estudar?

Nos Estados Unidos tirei licenciatura e mestrado em Ciências do Desporto e estou a tirar o doutoramento agora. É muito desafiante, mas vai dar frutos no futuro.

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